New York Giants

Como “consertar” a franquia de New York? – Parte 02

Photo by Paul J. Bereswill

*NOTA: Esse artigo foi escrito antes da demissão do GM Jerry Reese e do HC Ben McAdoo. Nele contém possíveis nomes e quais critérios poderiam ser utilizados, por isso, a linguagem e tempo deles foram mantidos.

Como falei na primeira parte dessa análise e que irei abordar aqui, o primeiro passo para tirar o Giants desse “buraco” é a demissão do GM Jerry Reese. Para tanto será necessário uma decisão conjunta de John Mara e Steve Tisch e acreditem, isso pode estar mais perto do que muitos imaginam.

Para quem não conhece essa figura, Jerry Reese foi contratado pela franquia em 1994 para o cargo de college scout – olheiro para futebol americano universitário e de lá em diante sua carreira de sucesso começou porque em 2004 foi promovido para diretor e depois em 2007 virou General Manager da franquia, o primeiro GM indicado por Mara e Tisch (que péssima escolha).

Todavia, diante da conquista dos Super Bowl de XLII e XLVI ficou escondido alguns “esqueletos” de sua administração, por exemplo, vocês sabiam que REESE NÃO FOI O RESPONSÁVEL por essas coisas:

  1. A trade com o Los Angeles Charges (antigo San Diego Charges) por Eli Manning, o QB da franquia;
  2. As escolhas de Osi Umenyiora, Chris Snee, Justin Tuck, Mathians Kiwanuka e Brandon Jacobs;
  3. Contratou Antonio Pierce, Kareem McKenzie, Plaxico Burress e Fred Robbins;
  4. Demitiu o HC Jim Fassel (1997 – 2003) e contratou Tom Coughlin (2004 – 2015).

Só coisa boa né?! É claro porque não foi ele que fez e sim o GM Ernie Accorsi (1998 – 2006), ou seja, Reese foi pouquíssimo responsável pelo título do Super Bowl XLII… Mas foi quem recebeu os créditos, por isso, sendo assim continuou no cargo e o que ele fez com esse time campeão?

Photo by MICHAEL BERMAN – Ermie Accorsi (direita)

Aposto que vocês já sabem a resposta… NADA. Nas campanhas de 2009 (8-8) e 2010 (10-6) o time se quer chegou aos playoffs. Porém, com um bom resultado no ano de 2010, provavelmente, Reese traçou uma estratégia de construir toda uma franquia em volta de Eli Manning e assim fez no draft de 2011 selecionando os seguintes jogadores:

  1. CB Prince Amukamara;
  2. DT MArvin Aunstin;
  3. WR Jerrel jernigan;
  4. OT James Brewer;
  5. LB Greg Jones;
  6. DB Tyler Sash;
  7. RB Da’Rel Scott.

Só nomes consagrados na NFL atualmente… Tirando o CB Amukamara que amarga uma reserva em Chigaco mas continua na liga, a grande maioria não continuou na NFL após o término do contrato de calouro. Entretanto, por muita raça de Eli Manning, Bradshaw, Victor Cruz, DT Linvan Joseph, CB Corey Webster e FS Antrel Rolle a franquia conseguiu mais um super bowl.

Aqui, novamente, Reese ficou com muitos créditos e enterrou quaisquer “esqueletos” que o Giants precisavam, porém, ainda nessa época já era possível ver os problemas que o time ainda enfrenta hoje tais como falta de linha ofensiva, linebackers de qualidade e tantos outros.

Maior prova disso são os relatos de Kevin Gilbrid, ex coordenador ofensivo (2007/2013) e ex treinador de quaterbacks (2004/2006), dizendo que os problemas com a linha ofensiva existem desde 2009 (para ver a notícia completa, clique aqui), PASMEM, ele relata que mesmo ganhando o super bowl os jogadores já estavam cheios de lesões e não tinham a mesma energia porque precisavam descansar alguns jogos, porém, nada foi feito e os jogadores se prenderam com unhas e dentes ao amor pela franquia e foram até não aguentarem mais jogar.

Photo by Tim Heitman-USA TODAY Sports

Olhem isso, em 2009, nossa linha ofensiva era formada por LT David Diehl, LG Rich Seubert, C Shaun O’Hara, RG Chris Snee e RT Kareem McKenzie. Uma linha de alto nível que pode ser facilmente ser comparada a do cowboys. Sendo que O’Hara e Seubert aposentaram-se em 2010 após vencer o SB. McKenzie aposentou-se em 2011 e Diehl em 2013. Por fim, Snee aposentou-se em 2014 após muito insistir em voltar.

Voltando para a história do Reese, de 2012 em diante conseguiu as seguintes conquistas:

  • Playoffs somente em 2016;
  • Campanhas negativas – 2013 (7-9), 2014 (6-10) e 2015 (6-10);
  • Péssimas escolhas de draft que não precisam ser lembradas aqui;
  • Modo “all-in” – gastou todo salary cap do time para contratar jogadores de defesa com objetivo de chegar aos playoffs e salvar seu cargo;
  • Escolheu McAdoo como Head Coach, um técnico inexperiente com o currículo apenas cargos de assistente em posições com apenas um ano de experiência com QB’s em Green Bay de 2012 e 2013, porém, foi escolhido porque conhecia o novo playbook que seria adotado para ajudar Eli Manning.

Logo, a única conclusão plausível é que ALGUMA COISA ESTÁ ERRADA.

Quando digo errada, não digo sobre pequenas coisas e sim sobre tudo mesmo, desde o menor dos problemas até os maiores problemas. O pior é pensar que nada disso tem salvação porque toda cultura, planos e regras criadas pelo Reese durante todos esses anos chegaram ao ponto final, não tem mais volta e a resposta/solução para isso é dar um FIM/TERMINAR.

Não tem como ele continuar no cargo, é impossível, mandar Reese embora é mais do que trocar de general manager. Na verdade é mandar a MENSAGEM CORRETA que as coisas não podem continuar da mesma maneira. Não é possível continuar desrespeitando os jogadores e fazendo de alguns de exemplo para os demais, a insatisfação do elenco, torcedores e especialistas é coletiva.

Quero deixar bem claro que digo isso tudo porque parto da premissa que não existem evidências que Reese seja capaz de administrar a franquia ou contornar toda essa situação, chega de pequenos “curativos” nos problemas do time, é necessário enfrentar e curar de vez a “doença”…. Se for necessário um “rebuild” para isso ou mandar um jogador “x” ou “z” embora, “ok”, ótimo, o que é intolerável é deixar as coisas como estão porque talvez chega ao ponto de ser irreversível, a franquia não pode chegar nesse ponto porque será necessário uma construção de anos e anos, vide o Browns, por exemplo.

Diante disso fica o seguinte cenário: beleza, Giants manda o Reese embora, quem vai entrar?

Para responder isso, eu tentei levantar  alguns parâmetros de contração para GM e descobri uma resposta constante nesses anos de administração. Eu posso garantir que existe um critério que tem sido essencial para as famílias Mara e Tisch escolherem alguém…  Eles valorizam as pessoas que são moldadas e trabalhadas na franquia e pela franquia.

Explicarei.

Em 1979, o Giants escolheu George Young para o cargo de general manager. Ele já havia trabalhado como executivo no Miami Dolphins e tinha alguma experiência boa anterior, sem ligação nenhuma com o critério anterior, certo?! Vamos lá, depois dele, quem foi escolhido para o cargo foi Ernie Accorsi, cujo qual entrou na franquia 1994 como assistente do GM (no caso de G. Young) e depois foi promovido a General Manager em 1998.

Photo by Francis Specker/New York Post

Percebeu a semelhança?!

O mesmo procedimento usado com Ernie Accorsi foi o também foi usado com Reese. Exatamente o mesmo, experiencia anterior dentro e fora da franquia, por isso, na época acharam ser o melhor caminho para escolher um novo GM e talvez seja novamente o critério utilizado.

Por isso, vamos supor que seja esse o critério mais importante, logo, nasce a seguinte pergunta, existe alguém na franquia que tenha condições de virar o novo GM da franquia?

Com muito esforço e pesquisa, consegui levantar duas pessoas que se encaixam nesse perfil:

  1. Kevin Abrams – Assistente General Manager;
  2. Marc Ross – Vice presidente of “player evaluation.

Esses são os possíveis candidatos dentro da franquia,  candidatos que até agora não mostraram nenhum projeto maior e nunca foram destaques por nada excepcional, e olha que eu tentei achar qualquer informação deles mas nada que ressalte os olhos apareceu.

Ao meu ver, nenhum nome da lista está preparado. Marc Ross, por exemplo, o chefão no que diz respeito ao draft, dizem que ele é o responsável por Odell Beckham Jr e Landon Collins. Só esquecem de perguntar se foi ele que escolheu Flowers e Eli Apple. Além disso, ele já tem boa experiência na franquia tanto é que já foi procurado e fez algumas entrevistas para o cargo de GM em outras franquias.

Outro concorrente é Kevin Abrams, o chefão do front office, cuida da funcionalidade de quase toda a franquia e tem bastante tempo de casa – são 16 temporadas – e tem experiência com salary cap o que pode ser crucial para os próximos anos da franquia.

Photo by www.giants.com

Bom, esses são os melhores nomes dentro de casa. Agora, e fora de casa? Se o Giants decidir quebrar o ciclo totalmente que vem sido apontado na franquia e dessa vez fazer diferente… Quem poderia ajudar?

No meu entendimento a melhor solução é olhar para fora de New York mesmo. Isso é procurar alguém que tenha algo a contribuir com um novo método, um novo esquema organizacional porque esse papo de tradição não está levando a franquia a lugar nenhum, por isso, vou colocar todos os candidatos mais citados pelos especialistas e vou separar os três que eu mais gostei do currículo.

São eles:

  • Duke Tobin, Diretor de PLayer Personnel no Cincinnati Bengals;
  • Brian Gaine, Vice Presidente de Player Personnel no Buffalo Bills;
  • Nick Caserio, Vice Presidente de Player Personnel no New Englad Patriots;
  • George Paton, Assistente de General Manager no Minissota Vikings;
  • Scott Pioli, Assistente de General Manager no Atlanta Falcons;
  • Joe Douglas, Vice Presidente de PLayer Personnel no Philadelphia Eagles;
  • Will McClay, Assistente do diretor de Player Personnel no Dallas Cowboys;
  • Eric DeCosta, Assistente de General Manager no Baltimore Ravens;
  • Scott Fitterer, Diretor de Player Personnel no Seattle Seahawks;
  • Dave Gettleman, ex General Manager no Carolina Panthers.

Antes de apontar os melhores, eu gostaria de lembrar a todos os leitores que na escolha de GM para as franquias da NFL é muito difícil uma pessoa largar a mesma função em uma franquia para ir a outra, isso porque ser GM demanda tempo e investimentos pelo menos a médio prazo, ou seja, dificilmente um GM de sucesso sairá da franquia que esteja para virar GM no Giants, exceto um nome dessa lista, Dave Gettleman, ele somente se encontra aí porque ele era o maior concorrente de Reese na época para assumir o cargo e tem uma relação muita antigo com o Giants.

Photo by Brian Spurlock-USA TODAY Sports

Para quem não sabe, Dave Gettleman estave no Giants desde 1999 sendo que em 2012 foi promovido para o cargo de Personnel Analyst. Tinha tudo para assumir o cargo no lugar do Reese, porém, as famílias Tisch e Mara escolheram Reese e Dave aceitou a proposta para ser GM no Carolina Panthers em 2013 (sendo demitido agora em 2017), por isso, abriu novamente essas especulações, um retorno para “sua casa” poderia  ser o melhor para as duas partes.

Por outro lado, se vocês acham Dave Gettleman um bom candidato é porque nunca conhecerem os meus candidatos favoritos: Will McClay – Assistente do diretor de Player Personnel no Dallas Cowboys, Joe Douglas – Vice Presidente de Player Personnel no Philadelphia Eagles e Scott Fitterer – Diretor de Player Personnel no Seattle Seahawks.

Photo by AP Photo and James D. Smith

Vamos começar por Will McClay. Os relatos são que esse camarada aí foi o responsável pelo achado do Prescott e foi quem decidiu seguir com a escolha do Ezekiel Elliott mesmo com tanto outros setores precisando de esforço. Foi responsável por montar a temida linha ofensiva do cowboys e já procurou o cargo de GM em outras franquias.

Photo by LES BOWEN and STAFF

Já viram pelo escudo onde esse cara tem feito o seu trabalho né? Joe Douglas, minha escolha predileta para a posição. O trabalho que esse cara fez antes no Ravens e agora no Eagles é inacreditável, as escolhas de quem contratar e as escolhas de draft tem feito a diferença na franquia, não precisa nem falar,  é só olhar a franquia hoje e todo trabalho de “rebuild” que eles fizeram após a saída de Chip Kelley. Isso tudo sem contar que ele já foi procurado por tantas outras franquias para assumir o cargo de GM mas não aceitou até então.

Photo by www.seahwks.com

Por último e não menos importante, Scott Fitterer, responsável pelo setor de escolha no draft em Seattle. Esse é outro que dispensa qualquer tipo de comentário mediante o trabalho feito até hoje em Seattle. Todo draft de Seattle é marcado por achar ótimos jogadores em rounds mais baixos e por ter reformulado o time ano após ano sempre com o draft, sem contar que ele declarou para todos que seu maior sonho é ser GM de uma franquia. Isso sem contar que já fez algumas entrevistas para o cargo.

Antes da publicação desse artigo, acabou estourando nas redes sociais a demissão do GM Jerry Reese e do HC Ben McAdoo. Apesar disso, a leitura ainda é válida principalmente para todo torcedor entender como será esse procedimento, candidatos e como isso afeta o Giants.

Então é isso, volto em uma terceira parte para comentar sobre possíveis nomes para o lugar do HC Ben McAdoo e sobre todas as “resoluções” comentadas por vocês. Para tanto, gostaria de saber o que vocês acham, então comenta aí possíveis nomes.  Quem assume? Quando? Fala aí que eu irei usar sua ideia aqui. 🙂

  • Danillo Tinti Da Silva

    acho que tudo se resume ao que precisamos, ao que temos hoje e pra onde focar esforços. claro contratar o GM e HC certos, dificil mas gostei das sugestões, ótimos nomes de caras que fizeram trabalhos muito bons.
    hoje olhando pro elenco, é forte em partes, a defesa é razoável, falta LB’s e um FS as outras posições estão relativamente bem servidas.
    pro ataque, grupo de recebedores muito bons, porem só isso. não tem OL ( pra mim o meio da OL está pronto, Flwers como OG, Richburn C e Pught OG, precisamos de OT’s) um bom RB, por favor um bom corredor é muito pedir isso ??, QB temos para os próximos 2-3 anos talvez. Eli é Elite e fim de papo, se der um time a ele, podemos sim sonhar com coisas grandes nos próximos anos. acho que olhando bemmm por cima é o que o Elenco precisa, mas pra poder acertar nessas contratações pontuais, é obvio que o Front Office pracisa ser remodelado por completo, esse negocio de prata da casa funciona quando a franquia está bem ou vem tendos bons resultados, não é o caso, o negocio agora é reconstruir o FO e ai sim, pensar no elenco e nos buracos que temos ( não é de hoje alias ).
    me animou a noticia, coisa rara de acontecer e aconteceu, então pode ser um bom sinal, mudanças a vista e isso me anima.

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