História Completa

História dos Giants: Primórdios

 A história do futebol americano profissional de New York se confunde com a própria história dos Giants. No ano de 1925, apenas o quinto após a criação da National Football League (NFL), Timothy James “Tim” Mara, vindo de uma família com ascendência irlandesa de origem humilde, depois de ter trabalhado como entregador de jornais e no (à época, legal) ramo de apostas, tornou-se um homem de negócios bem sucedido e decidiu criar o New York Football Giants, desembolsando, na oportunidade, a quantia de $500 dólares.

Tal chance surgiu porque a NFL precisava de uma equipe em uma cidade grande, como NY. O convite da Liga, inicialmente, havia sido feito a Billy Gibson, ex-proprietário do New York Brickley Giants, que já não estava mais interessado em voltar para o futebol americano, já que estava se dedicando ao boxe, um sucesso naqueles tempos. Os “Giants do Brooklyn”, como era chamado o time que teve curta duração (1919-1921), tinham esse nome por serem patrocinados pela equipe novaiorquina de beisebol, também de nome Giants, que anos depois mudou-se para San Francisco e até hoje por lá continua. Os “Novos Giants”, sob o comando de Tim Mara, trataram logo de deixar as cores laranja, preto, dourado e creme da equipe do Brooklyn, para adotar as tradicionais cores da bandeira norte-americana: azul, vermelho e branco.

Era uma bela tarde de outono, no mês de outubro de 1925, quando o NY Giants foi a campo pela primeira vez, para enfrentar o Frankford Yellow Jackets, no campo do histórico Polo Grounds, estádio situado na parte alta de Manhattan. Ao final da partida, a equipe saiu derrotada por 14-0, mas ali também começou o que seria uma história gloriosa. Mais tarde, naquele mesmo ano, os Giants receberiam o Chicago Bears, numa partida que proporcionou um público de 73.000 pessoas e renda recorde, dando um lucro, até então inimaginável, de $ 143.000 dólares para o negócio de Mara.

Dois anos depois, em 1927, os Gigantes novaiorquinos conquistariam o seu primeiro título, após terminarem a temporada com um retrospecto de 11-1-1. Naquela época, antes dos playoffs (criados só em 1933), vencia o campeonato quem tivesse a melhor campanha.

Os anos seguintes vieram e a crise econômica americana, com a Grande Depressão, não fizeram nada bem para as finanças da equipe, que por diversas vezes esteve ameaçada de fechar as portas. Para piorar, o esporte profissional ainda não havia caído nas graças do público norteamericano, que preferia muito mais as românticas disputas do futebol universitário, que seriam, para muitos, “jogadores de verdade”. Para acabar com essa mentalidade e chamar para a NFL os holofotes, os Giants marcaram um jogo amistoso contra a equipe da Universidade de Notre Dame, em 1930. A partida teria um objetivo nobre: reverter toda a renda para os inúmeros desempregados do Big Crash. Na imprensa da época, a vitória dos Fighting Irishes era tida como certa, pois a equipe era recheada de atletas de ponta, ao contrário da “ilusão” que diziam ser o football profissional. Ledo engano…do início ao fim da partida, os Giants massacraram os universitários, não dando a menor chance de competição. Placar final: 21-0 para os Giants. Mais do que isso: a NFL agradecia e o público americano finalmente passava a dar o crédito merecido ao esporte profissional.

A nova década de tinha início, acontecendo fora de campo algumas das principais mudanças na equipe. Dentre elas, destaca-se a entrada dos filhos de Tim Mara, Jack e Wellington, em 1931. Este último, aliás, se tornaria o mais jovem proprietário de uma equipe profissional da história, contando com apenas 14 anos de idade à época.

Em 1933, no início da Era Moderna da NFL, os Giants dominaram a Divisão Leste, com 11 vitórias e 3 derrotas, garantindo vaga na primeira decisão de campeonato oficial da liga, contra os Bears. Num jogo bastante disputado, NY vencia por 21-16 no último período, entretanto, com menos de um minuto para o fim da partida, a nossa defesa não conseguiu impedir um touchdown de 19 jardas de Chicago. Os Giants ainda tentariam uma jogada parecida no último lance, mas não obtiveram sucesso e tiveram que se contentar com o vice-campeonato.

Após algumas decepções, em 1938 os G-Men voltaram com tudo para tentar conquistar a NFL novamente. Após uma campanha com apenas duas derrotas, a equipe foi para a grande decisão contra o Green Bay Packers, no Polo Ground, que recebeu 48.100 espectadores para uma partida emocionante, vencida no final pelos donos da casa por 23-17. Assim, os Giants se tornavam a primeira equipe a vencer o campeonato na era pré e pós-playoffs. No ano seguinte, encerrando a década, os Packers conseguiriam a vingança sobre os Giants, vencendo por 27-0 no Milwaukee Fair Grounds, numa partida aonde o vento gelado superou os 50 Km/h.

O time começou mal os anos 1940, com um time fraco. Em 7 de dezembro de 1941, num derby local contra o Brooklyn Dodgers, de repente os alto falantes do estádio paralisaram a partida: a base aérea americana em Pearl Harbor havia sido atacada, fazendo com que os Estados Unidos entrassem oficialmente na Segunda Guerra Mundial. Desta forma, a partida terminou abruptamente e o corre-corre começou nas arquibancadas e no campo.

A liga continuava, ainda que com as atenções voltadas para o outro lado do mundo. Em 1945, finalmente a guerra terminou, fazendo com que a alegria tomasse conta do país e com que vários atletas retornassem aos seus times. Alguns deles, entretanto, nunca mais retornaram, como no caso da estrela dos Giants, Al Bloziz, que foi para a Europa lutar um ano antes e que acabou perdendo a sua vida no campo de batalhas. Desta forma, só restou à equipe aposentar a camisa 32 e guardar na memória o grande jogador que tiveram. Dentro de campo, o time de NY não conseguia reencontrar o seu jogo de campeão.

Imagem: NY Daily News

Tem início a década de 1950 e, logo no primeiro ano, os Giants ressurgem fortes. Após empatarem em campanha com o Cleveland Browns, com 8 vitórias e 2 derrotas, as equipes tiveram que tirar no cara ou coroa quem sediaria a partida decisiva. A moeda sorriu para os Browns, que puderam levar o jogo para Ohio e vencer uma dura batalha, por 8×3.

Os anos seguiam difíceis para os Giants, até que chegou o ano de 1956. Primeiro, eles deixavam para trás o Polo Grounds, passando a atuar no Yankee Stadium. Segundo, finalmente voltavam a ser campeões da liga, com um massacre de 47-7 sobre os à época maiores rivais Bears. O ano foi especial, pois tanto a NFL quanto os Giants viviam um período de explosão de popularidade nos EUA, fazendo dos jogadores da equipe verdadeiras estrelas nas ruas de New York.

Imagem: NY Daily News

Chega 1958 e a partida que mudaria definitivamente a noção do futebol americano para todo um país. Depois de uma bela campanha no Leste, os Giants chegavam a mais uma final, desta vez contra o Baltimore Colts, liderado pelo jovem quarterback Johnny Unitas. Com o Yankee Stadium lotado com 48.600 torcedores, o jogo foi jarda a jarda disputado e, ao final dos 60 minutos, pela primeira vez até então seria preciso um tempo extra para decidir uma disputa, afinal, era jogo que valia título. Por fim, os Colts anotariam um TD de 1 jarda para vencer por 23-17 e faturar o campeonato daquele ano. Porém, muito além disso, uma multidão de fãs foi arrebanhada no país, simplesmente boquiabertos com a disputa da NFL. Para muitos especialistas, até hoje aquele foi “O Maior Jogo de Todos os Tempos”.

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