História Completa

História dos Giants – Super Bowl XLII

03 de fevereiro de 2008.

O estádio da Phoenix University, em Glendale, Arizona, estava pronto para ser o palco da história dos esportes profissionais norte-americanos. Não tanto pelo coadjuvante e representante da NFC, New York Giants, quase que milagrosamente classificados para a decisão; mas pelo vencedor da AFC, New England Patriots, um dos times mais avassaladores já vistos, dispostos a repetir o feito dos Dolphins de 1972 e faturar um título de forma invicta.

Após chegarem aos playoffs como Wild Card, os Giants já poderiam se dar por satisfeitos, depois de uma campanha de 10-6 e com direito a derrota nos dois primeiros jogos do ano. Mas a equipe de New York começava a dar mostras de que o vice-campeonato não era exatamente o seu objetivo, com uma defesa liderada pelo defensive end Michael Strahan, um dos grandes nomes que passaram pela franquia, mas que amargava uma derrota para os Ravens no Super Bowl XXXV, como seu melhor resultado. No ataque, uma das maiores piadas da liga até então, o quarterback Eli Manning, vinha de uma boa sequência de jogos, acionando seus experientes receivers Plaxico Burress Amani Toomer.

Pelos Perfect Pats, Tom Brady era o homem encarregado pelo técnico Bill Belichick de comandar um ataque que bateu constantes recordes naquela temporada, com 589 pontos marcados (média de 36,8) e 75 touchdowns. Brady, responsável em campo pela transformação dos Patriots em uma franquia campeã (foram três títulos no início da década), era o jogador mais temido da NFL no momento, especialmente por ter alvos como Randy Moss Wes Welker, ambos no auge da forma, e ser protegido por uma linha formada por caras como Logan Mankins, Matt Light e Dan Koppen. A defesa não ficava para trás e trazia na escalação nomes como o de Mike Vrabel, Junior Seau, Teddy Bruschi Asante Samuel, dentre outros.

Entre a expectativa da perfeição e sua confirmação, 60 minutos e alguns Gigantes separando os Patriots da glória.

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O JOGO

A primeira posse de bola foi dos Giants. Chegado no meio daquela temporada, o retornador Domenik Hixon foi puxado pela grade do capacete e derrubado no campo de defesa, porém, a arbitragem nada viu e ficou por isso mesmo. No comando do ataque, Manning alternava passes curtos com corridas de Brandon Jacobs Ahmad Bradshaw. Após gastarem o máximo que puderam o relógio, deixando Brady na sideline, os Giants abriram o marcador com um fieldgoal de Lawrence Tynes, da marca de 32 jardas. Foi o drive mais longo da história do Super Bowl, com exatos 9:59 consumidos. Os Patriots responderam em seguida, com um retorno muito bom do RB Laurence Maroney, de 43 jardas e colocando o time no seu próprio campo de ataque. Quando o fim do primeiro quarto se aproximava, Brady tinha uma terceira descida para 10 jardas e lançou para o TE Benjamin Watson na endzone. O passe foi incompleto, porém, foi marcada interferência do linebacker Antonio Pierce, colocando nossos adversários na linha do gol.

Imagem: UPI

O placar foi movimentado logo no início do segundo período, com uma corrida curta de Maroney, dando a liderança a New England. Na sua segunda campanha ofensiva da noite, os Giants tentaram avançar, mas pararam em uma interceptação feita pelo cornerback Ellis Hobbs, após o calouro Steve Smith não conseguir agarrar passe de Manning. . Quando voltou ao gramado, Brady, que no campeonato inteiro havia sofrido poucos sacks, repentinamente foi apresentado à defesa dos Giants e ao plano de jogo montado pelo coordenador do setor, Steve Spagnuolo. Num mesmo drive, primeiro o  LB Kawika Mitchell e depois o DE Justin Tuck foram com tudo para cima da estrela dos Pats. Mesmo com o oponente não pontuando, NY quase sofreu outro turnover na campanha posterior, na ocasião em que Bradshaw derrubou passe curto de Manning e sofreu fumble. Após rever a jogada, os árbitros entenderam que o running back dos Giants foi quem conseguiu ficar com a bola, mas a campanha não foi adiante. Aí começou o festival de fumbles: primeiro, Adalius Thomas sacou Manning, que derrubou a bola. Mesmo com Smith a recuperando, foi marcada uma falta de Bradshaw e os Giants perderam a chance de tentar, pelo menos, mais um fieldgoal. A seguir, quando o fim da primeira metade se aproximava, novamente Tuck avançou sobre Brady e a bola caída no chão foi recuperada por Osi Umenyiora.

O terceiro quarto foi repleto de tensão e sem ponto algum no placar. O lance marcante ficou para uma chamada de Belichick, que acabou custando caro à sua equipe. Após se verem em uma situação de quarta descida para longas 13 jardas, o treinador optou por tentar o 1st down, ao invés de dar a seu kickerStephen Gostkowski, a chance de arriscar um FG de 49 jardas. O passe de Brady para Jabar Gaffney foi incompleto e NY conquistava ali mais um turnover.

Adalius Thomas and Kevin Boss - Super Bowl XLII
Imagem: Getty Images

O último e decisivo período viu Manning completar um passe para o TE rookie Kevin Boss, que havia ganho há pouco tempo a vaga do desagregador Jeremy Shockey. Boss avançou pelo meio, com todo o seu peso, e ainda assim conseguiu avançar os Giants por 45 jardas. Depois de três corridas curtas de Bradshaw e uma recepção de Smith, os G-Men se encontravam novamente na redzone. Neste momento, entra em campo um personagem que saiu do banco de reservas e que mais tarde acabaria na história. O veterano reveiver David Tyree, jogador que passava despercebido e que era mais notado por sua presença no special teams, após movimentar-se pela linha de scrimmage, recebeu um passe curto e preciso de Manning, uma fração antes de ser desviado ou interceptado por Samuel. Mal sabia Tyree que a sua “lenda” estava apenas começando. Após três trocas de bola e punts de seus ataques, os Patriots voltaram à ação. Acionando com assiduidade Welker e Moss, Brady foi avançando com seus colegas pelo campo. Com 2:42 para o fim da grande final, os Pats tinham uma terceira descida na linha de 6 jardas dos Giants e, mais do que isso, eles tinham a dupla Brady-Moss. Após um escorregão de Corey Webster na marcação, Moss recebeu livre a bola e praticamente a “encaixou” no colo, indo comemorar com as câmeras posicionadas na endzone.

Imagem: Getty Images

A tensão era inevitável para o Big Blue. Enquanto New England ia para o kickoff, o líder Strahan reuniu os jogadores do ataque e fez um pequeno discurso: “17…17 a 14 no final. Ok, companheiros? Acreditem e isso vai acontecer!” Saindo da linha de 17 jardas do próprio campo, Manning acionou dois passes para Toomer. Ainda assim, os Giants ficaram aquém da linha amarela e tiveram que ir para uma quarta descida para uma jarda. Jacobs não fugiu à responsabilidade e avançou o suficiente, colocando o seu corpanzil de lutador de boxe a serviço do time. Duas jogadas depois, o CB Samuel teve ele também o lance do jogo na mão, mas deixou um passe ruim de Manning escapar entre os seus dedos, quando estava na marcação de Tyree. Na jogada seguinte, os Giants estavam na linha de 44 jardas do seu campo de defesa, com 1:15 para o final e uma terceira descida para cinco jardas. O snap de Shaun O´Hara saiu baixo e Manning logo se viu diante de um pass rush enfurecido. Após quebrar um tackle e ter sua camisa puxada por dois defensores adversário, Eli mandou uma bomba para o campo de ataque, para o único jogador relativamente em condições de receber o passe. Esse cara era David Tyree, o qual, mesmo com a implacável marcação de Rodney Harrison sobre ele, voou até o oitavo andar e fez a recepção metade com as mãos, metade com o capacete, despencando no chão com ela no colo, como se fosse o bem mais importante do mundo (e, convenhamos, naquela ocasião, era).

Imagem: Getty Images

Com o avanço de 32 jardas, logo os Giants estavam em uma outra terceira descida, agora para 12, mas o calouro Smith fez uma jogada pouco lembrada e que foi fundamental para a vitória, avançando uma jarda além do que precisava e saindo pela lateral do campo, parando o relógio em 39 segundos, já que o time não tinha mais tempo para pedir. Foi na jogada seguinte que Manning fez aquele que talvez tenha sido um dos TDs mais fáceis da sua carreira e do parceiro Burress, na ocasião em que o receiver deu um drible de ombro desconcertante em Hobbes e, livre, agarrou a bola na endzone, tirou o protetor bucal e abriu um sorriso enorme, antes de se ajoelhar e comemorar com seus companheiros. Ainda havia um pouco de tempo no cronômetro e os Patriots, mesmo com a sensação de estarem se recuperando de um nocaute, tinham Brady e seu corpo de receivers. Mas a defesa dos Giants não queria saber de conversa. Primeiro, o rookie Aaron Ross quase conseguiu uma interceptação. Depois, o também novato Jay Alford, DT que teve uma curta passagem pela NFL, marcou o seu nome na liga ao sacar Brady feito um caminhão descendo a ladeira. Depois, mais dois passes desesperados e incompletos, bem cobertos pela secundária dos Giants. Depois de 17 anos, o Gatorade voltava a ser despejado em um treinador da equipe, desta vez, no ex-prata da casa e até ali massacrado Tom Coughlin.

Placar final: GIANTS 17 X 14 PATRIOTS

Imagem: NFL

Se a história imaginava ser contemplada com os Perfect Pats, ela não saiu de mãos abanando daquela noite. Liderados por um gelado Manning (MVP da partida), uma defesa esfomeada e jogadores em todas as posições dispostos a acreditar, eram os Giants que escreviam uma das mais belas páginas do esporte. Eles não podiam e não queriam ser perfeitos, afinal, nenhum de nós é. Mas, o que importa, é que ali só eles puderam gritar: “Nós somos os Campeões“!

*Continue lendo, aqui.

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