História Completa

História dos Giants – Super Bowl XLVI

05 de fevereiro de 2012.

 O Lucas Oil Stadium, situado em Indianapolis, Indiana,  estava lotado para acompanhar a 46ª edição do Super Bowl. Quatro anos depois, chegavam para a revanche os dois times que fizeram uma das maiores finais de todos os tempos. Representando a NFC, o New York Giants chegava para a decisão revigorado, após um inesperado arranque na parte final de uma temporada marcada por diversas lesões. Pela AFC, o New England Patriots só pensava em dar o troco do SB XLII e chegar ao seu quarto título em 11 anos.

Imagem: FoxSports.com

Mais uma vez sem ser o favorito nas casas de aposta, o time dos Giants sabia das suas limitações, mas também da força que havia adquirido moralmente, especialmente após ter ficado muito próximo da eliminação ainda na temporada regular, em que terminaram na frente da Divisão Leste com um suado 9-7. Eles entravam em campo liderados novamente pelo quarterback Eli Manning, recuperado da desastrosa temporada anterior, quando cometeu 25 turnovers. Embora Ahmad Bradshaw Brandon Jacobs já não fosse mais o mesmo ataque terrestre de antes, a equipe de NY agora tinha a seu serviço um jovem e animado grupo de receivers, além de novas peças na defesa, caso de Jason Pierre-Paul, mas contando sempre com a experiência de jogadores do calibre de Justin Tuck e Osi Umenyiora. Do banco, o tantas vezes contestado Tom Coughlin estava lá de novo.

Pelos Patriots, o QB e o treinador também eram os mesmos. A dupla Tom Brady Bill Belichick continuavam orquestrando um ataque poderoso e uma defesa consistente, donos de uma campanha 13-3 na temporada regular. Misturados a peças conhecidas, como Wes WelkerLogan Mankins Deion Branch, novos e perigosos atletas, casos de Rob GronkowskiAaron Hernandez Jerod Mayo também aumentavam o poder da equipe.

Para chegar lá, uma coisa em comum os dois times tiveram: ambos foram campeões de suas Conferências em vitórias dramáticas, daquelas de encher de moral e coragem qualquer elenco. Os Giants, na prorrogação contra os 49ers. Os Patriots, nos últimos segundo após um fieldgoal desperdiçado pelos Ravens.

Imagem: FunCheap.com

O JOGO

Encerrando uma sequência de 14 finais consecutivas em favor dos times da NFC no cara-ou-coroa, os Pats venceram a disputa, optando por começar na defesa. De cara, a pressão foi total sobre Manning: com dois sacks, um de Brandon Deaderick e outro de Mark AndersonNew England logo retomou a posse de bola. Porém, no momento do puntSteve Weatherford deu um ótimo chute e colocou Brady na linha de 6 jardas, “de costas para a parede”. Ao tentar um play action, Brady sofreu a pressão de Tuck, livrando-se rapidamente da bola. Contudo, como ainda estava no pocket e mandou o passe na direção de ninguém, os Patriots foram punidos com um safety e os Giants abriram o marcador. Quando receberam a bola de volta, NY conseguiu armar boas jogadas, terminando a campanha de 78 jardas em um passe curto de Eli para Victor Cruz, no meio de dois marcadores, anotar o touchdown e dançar a sua Endzone Salsa, para delírio do público presente.

No início do segundo período, os Pats dimuíram o prejuízo, com fieldgoal de Stephen Gostkowski, da linha de 29 jardas. Com os Giants não conseguindo pontuar, novamente Weatherford acertou outro punt, agora colocando a bola na marca de 4 jardas do campo adversário. Desta vez, contudo, Brady conseguiu sair do buraco e conduziu um excelente drive, de 14 jogadas e 96 jardas, empatando na liderança desse item na história dos Super Bowls. A jogada só foi terminar no TD marcado pelo RB Danny Woodhead, que colocava a equipe de New England na liderança, ao final da primeira metade.

Imagem: SBNation.com

O terceiro quarto começou com os Patriots bastante agressivos. Depois de uma campanha consistente, Brady encontrou o TE Hernandez num passe de 12 jardas para a endzone, aumentando a vantagem do seu time. Não deixando o oponente se distanciar demais, os Giants ao menos conseguiram diminuir o prejuízo no drive seguinte, com um FG anotado por Lawrence Tynes, da marca de 38 jardas. A defesa de New York aos poucos ia aumentando a pressão sobre Brady. Numa dessas vezes, Tuck efetuou um importante sack. Quase no final do período, Tynes marcou mais um FG, agora da linha de 33.

O derradeiro quarto, logo na segunda jogada, ficou marcado pelo primeiro turnover da final, na ocasião em que Chase Blackburn se antecipou a Gronkowski e interceptou um passe longo de Brady. Os Giants bem que tentaram, mas novamente tiveram que ir para o punt na campanha seguinte. Com cerca de 10 minutos para o encerramento, os Patriots começaram a trabalhar o relógio, para desespero dos G-Men. Com cerca de 4 minutos para o fim e com New England ainda no meio do campo, houve o primeiro lance capital da decisão: Brady enganou a defesa dos Giants e mandou um passe tranquilo para Welker, desmarcado, anotar o first down que no mínimo terminaria em mais um fieldgoal da equipe e em mais alguns minutos no relógio. Porém, o veterano receiver, de forma inacreditável, deixou a bola escapar entre os seus dedos, para desespero da torcida dos Patriots. Quando receberam a bola novamente, os Giants estavam na linha de 12 jardas do seu campo defensivo.

Aí, foi a vez de Eli Manning lembrar ao mundo todo que lidar com a pressão de um Super Bowl é coisa para quarterbacks de elite. Mais uma vez em uma grande final e contra o mesmo oponente, Manning fulminou a defesa adversária com uma verdadeira aula para qualquer quarterback. Desta vez, não era David Tyree, mas sim Mario Manningham o eleito para fazer história. Com uma bola 100% perfeita, Eli avançou a sua equipe por 38 jardas, conseguindo encontrar uma improvável janela entre Manningham e seus dois marcadores, a milímetros da lateral do campo. Belichick ainda tentou desafiar a jogada, sustentando que o receiver de NY havia pisado fora do gramado, mas o máximo que conseguiu foi desperdiçar um pedido de tempo para a sua equipe. Com mais um importante avanço de Manningham e depois com outro de Hakeem Nicks, os Giants agora estavam na redzone do adversário, com cerca de 1 minuto no relógio e apenas dois pontos atrás.

Imagem: NYTimes.com

Foi então que veio a ordem do banco dos Pats, ordenando para que permitissem aos Giants pontuar, afinal, eles ainda teriam um curto tempo para tentar buscar o placar. Mesmo com os gritos de Manning para não cair na armadilha, Bradshaw carregou a bola até a última jarda do gramado e, de forma hesitante, pareceu não ter resistido à atração da área colorida, caindo sentado na endzone. Misto de alegria e nervosismo nos Giants, que agora teriam que se virar por 57 segundos para frear o ímpeto de Brady.

Quando voltou para o campo, a defesa de NY estava disposta a acabar de vez com a fatura, com bastante pressão e mais um sack de Tuck. Porém, na tentativa de quarta descida, Brady conseguiu escapar de Michael Boley, acertando uma bomba para Branch manter vivas as esperanças de New England.   Felizmente, tudo acabou bem para os Giants quando, com o relógio zerando, Brady mandou um passe longo para Hernandez na endzone, desviado pela secundária dos Giants. Gronkowski ainda mergulhou desesperadamente, mas ficou a alguns centímetros da bola.

PLACAR FINAL: GIANTS 21 x 17 PATRIOTS

O mundo era dos Giants, mais uma vez.

*Continue lendo, aqui.

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