História Completa

História dos Giants: Super Bowl XXV

27 de janeiro de 1991.

O Jubileu de Prata do maior evento anual do esporte aconteceria em Tampa Stadium, Tampa, Florida. O clima era de consternação misturado com patriotismo, já que os EUA estavam engajados em mais uma guerra, desta vez no Golfo Pérsico. e pela primeira vez na história as tropas assistiam e praticamente participavam da transmissão ao vivo.

Como campeões da NFC e em busca do bicampeonato, o New York Giants. Pelo lado da AFC e pela primeira vez na grande final, o Buffalo Bills. Ironicamente, apesar de ter New York no nome, o verdadeiro representante do estado era o time de Buffalo, afinal, os Giants atuavam em New Jersey.

Vindos de uma boa campanha 13-3 na temporada regular, os Giants tinham como maior problema a falta do seu quarterback titular, o experiente Phil Simms, que havia sofrido uma grave lesão justamente em um jogo contra os Bills, na temporada regular. Após vencerem as 10 primeiras partidas do ano, os G-Men tornaram-se mais frágeis com a baixa de Simms, porém, ainda assim superaram os favoritos 49ers na final de Conferência. Por sua vez, com o mesmo retrospecto de vitórias e derrotas nas campanhas, os Bills eram apontados como uma força emergente na liga, tendo dominado completamente a AFC.

Bill Parcells continuava no comando do Big Blue. Sua filosofia estava bem clara para cada um de seus jogadores: a defesa deveria ser “poderosa” e o ataque manter a posse de bola o maior tempo possível, o que fez como ninguém naquela noite, estabelecendo o novo recorde da grande final, com 40 minutos e 33 segundos. Havia diversas mudanças em relação à formação campeã de quatro temporadas antes, mas as principais estrelas estavam lá, mesmo com a lesão de Simms. Liderando a defesa, o Hall of Famer Lawrence Taylor e outros atletas maiúsculos, como o linebacker Pepper Johson e uma secundária agressiva, cujo principal nome era Everson Walls.

Pelos Bills, um elenco recheado por nove jogadores eleitos para o Pro Bowl daquele ano. O ataque, especializado em jogadas sem a formação de huddle, era puxado pelo quarterback Jim Kelly, um verdadeiro mestre em ler as defesas adversárias da linha de scrimmage. Não à toa, ele foi o líder daquela temporada na posição, com um rating de 101.2, lançando para 2.829 jardas, 24 touchdowns e apenas 9 interceptações. Na linha ofensiva, protegendo Kelly, jogadores fortes como Kent Hull Will Wolford, que também abriam grandes espaços para o running back Thurman Thomas terminar aquela temporada com 1.297 jardas terrestres e 13 TDs. No setor defensivo, destaque para o DE Bruce Smith, terrível nos sacks e eleito o jogador de defesa do ano, e também para o grupo de linebackers, com 3 probowlers escalados.

O JOGO

Os Bills começaram com a posse de bola, mas logo foram forçados a ir para o punt. Obedecendo as ordens do treinador, o QB reserva, Jeff Hostetler, gastou mais de 6 minutos do relógio até que a campanha terminasse com um fieldgoal de 28 jardas, anotado por Matt BahrBuffalo não se abateu e deu o troco na mesma moeda, com um FG de Scott Norwood, que mais tarde ficaria lembrado para toda a história. No drive, terminado com um chute de 23 jardas, os Bills precisaram de pouco mais de um minuto com a bola, algo diametralmente oposto ao plano dos Giants.

Imagem: Getty Images

Após forçarem NY ao punt, os Bills realizaram a primeira grande campanha da noite. Com um avanço total de 80 jardas e 12 snaps, Kelly levou o ataque de Buffalo à nossa linha de 1 jarda, abrindo caminho para que o RB Don Smith corresse para virar o placar. A partida prosseguia tensa, até que Smith conseguiu sacar Hostetler na nossa endzone, dando mais dois pontos para os Bills. Com pouco mais de 3 minutos no relógio para o fim da primeira metade, os Giants tiveram que mudar momentaneamente de estratégia e, assim, Hostetler engatou um drive bastante rápido, de 87 jardas, que culminou num passe para TD do wide receiver Stephen Baker.

Imagem: NY Daily News

Na volta do intervalo, New York retomou o plano original de Parcells, trabalhando incansavelmente o relógio. Após o recorde de 9:29 (só superado pelos próprios Giants, no Super Bowl XLII), Ottis Anderson correu 1 jarda para retomar a liderança para os G-Men. Dos dois lados, as defesas iam tornando o jogo a cada snap mais e mais físico, por vezes até, violento. Ninguém queria cometer o menor vacilo, pois era noite de Super Bowl.

Quando o último quarto começou, o RB Thurman acelerou em uma corrida desenfreada de 31 jardas, anotando touchdown para os Bills e completando o milésimo ponto do evento. Na campanha seguinte, mesmo atrás do marcador, os Giants continuaram a usar o relógio a seu favor. Ao final, depois de mais de 7 minutos com a bola, Bahr acertou mais um FG, da linha de 31 jardas, e assim NY liderava o marcador por apenas um ponto de vantagem. Após trocarem punts por mais duas vezes, Kelly conseguiu levar Buffalo à linha de 29 jardas do nosso campo de defesa. Restaria apenas uma quarta descida, com o cronômetro parado em 8 segundos. Norwoord foi para o fieldgoal da marca de 47 jardas e a bola viajou em intermináveis segundos que pareciam uma eternidade, até que passasse a ínfimos centímetros da trave direita e confirmasse o bicampeonato dos Giants.

PLACAR FINAL: BILLS 19 x 20 GIANTS

Anderson, graças ao seu vigor nas corridas, foi eleito o MVP da partida. Hostetler saiu de campo orgulhoso por ter dado conta de substituir o ídolo Simms. E Taylor, um dos maiores jogadores de todos os tempos, teve o seu último momento de glória como atleta. Na comissão técnica, Parcells sairia da franquia depois de mais um título, mas, ao mesmo tempo, duas outras histórias começavam a ganhar força, casos específicos do coordenador defensivo, Bill Belichick, cujo plano de defesa utilizado foi parar no Pro Football Hall of Fame e que assinou contrato para dirigir os Browns como head coach; e também o treinador dos wide receiversTom Coughlin, que foi contratado para ser o principal treinador da tradicional Boston College e que, mais tarde gravaria de vez o seu nome na história dos Giants.

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