DRAFT 2017

Os cinco erros de Reese: Destrinchando o draft

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Caros leitores, resolvi deixar passar um tempo de “oba oba” e “Reese não presta” para escrever um pouco sobre os jogadores e efeitos de suas escolha no plantel geral, logo, eu não falarei das características do jogador ou números, apenas listarei ao meu ver quão bom foi esse draft feito pelo odiado/amado Jerry Reese e quais possíveis reflexos do jogador no playbook atual coordenado pelo Coordenador Ofensivo Mike Sullivan e o Head Coach Ben McAdoo.

Antes do draft, o Giants tinham especialistas apontando as necessidades do time e ao menos três escolhas nos três primeiros rounds que estariam prontos para jogo causando impacto imediato para esse time, esse tipo de pensamento colabora perfeitamente com que o Reese tinha feito até então na free agency e com as renovações do time, tais como Jason Pierre-Paul.

01. Evan Engram (TE, Ole Miss) – 1º Round, 23ª Pick:

Photo by Corey Sipkin

O draft até aqui teve fortes surpresas com inúmeras revelações… Por outro lado, nomes como O.J. Howard (TE, Alabama), Jarrad Davis (LB, Florida), David Njoku (TE, Miami), Reuben Foster (LB, Alabama), Malik McDowell (DT, Michigan State), Ryan Ramczyk (OT, Wisconsin), Garett Bolles (OT, Utah) e Jonathan Allen (DT/DE, Alabama) disponíveis ainda na 17ª escolha.

Nesse momento é possível facilmente identificar que Reuben Foster, Jonathan Allen e Howard não deveriam estar aí, eram no mínimo considerados jogadores top 10 em todo draft. Isso levantou curiosidade em todos os times, afinal, o que esses jogadores tinham de errado e porque estavam caindo tanto.

O grande rival de divisão do Giants, Washington Redskins acabou com as possibilidades escolhendo Jonathan Allen. Aqui, ao meu ver nasce o primeiro erro do Reese no draft, poderia muito bem avançar ou ao menos tentar uma “trade up” com o Titans por essa escolha, não seria tão difícil visto que a escolha deles foi unicamente por necessidade e não por favor e provavelmente os dois melhores CB’s estariam disponíveis,  Adoree’ Jackson (CB, USC) e Tre’Davious White (CB, LSU), logo teriamos fortes chances de pegar o Howard, o melhor TE do draft que sabe bloquear e fazer rotas, nesse caso sim valeria uma primeira escolha tão cedo, porém, nada foi feito e com a décima oitava escolha o Tennessee Titans selecionou o CB Adoree’ Jackson (USC).

Nas escolhas seguintes, eu tenho absoluta certeza que a cada escolha feita uma “facada” era proferida no peito do Reese, pois foram escolhidos Howard, Bolles e Davis. Todas escolhas muito solicitadas e referenciadas pelos especialistas para o Giants mas ainda sobravam nomes como: David Njoku (TE, Miami), Reuben Foster (LB, Alabama), Malik McDowell (DT, Michigan State) e Ryan Ramczyk (OT, Wisconsin).

Aqui, ao meu ver, só existia um critério aplicável, BEST PLAYER AVAILABLE, escolhendo o Reuben Foster um jogador que estava cotado para top 10 de todo draft. Eu sei, muitos leitores vão questionar as necessidades, beleza então, mesmo que utilizassem esse critério, linebacker ainda é uma necessidade no time mas Reese foi em outro jogador sendo aqui seu segundo erro. 

Depois, com a 23ª pick o Giants selecionou Engram (TE, Ole Miss) mesmo com David Njoku (TE, Miami). Reese argumentou após a escolha que Engram é um playmaker e um estupendo recebedor cumprindo rotas bem melhor que o próprio Njoku mas em termos de bloqueio deixava a desejar. Isso sem contar que Engram era cotado para ser escolhido no início do segundo round e que o Giants não teria possibilidade ter ser escolhido futuramente pela franquia, logo, Reese se adiantou e garantiu o jogador.

Eu questiono inúmeras coisas nessa escolha, menos o talento do Engram, isso ele possui bastante e fatalmente pode acrescentar bastante ao playbook, mas serei franco com vocês, o playbook do Giants pobre visto em 2016 é capaz de adaptar um jogador desse calibre? Engram se posiciona em qualquer posição de recebedor, seja slot ou na lateral, aparece recuado, troca de lados e praticamente recebe qualquer tipo de passe, digo isso porque seria crueldade usar esse tipo de hibrido tight end naquelas rotas pobres que TE Will Tye fez ano passado.

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Outro ponto que deverá ser trabalhado nessa pré temporada são as questões sobre os bloqueios do jogador, ele sabe fazer bloqueios em pé (para ver uma analise somente sobre bloqueios, não é muito boa mas vale a pena, clique aqui) e mesmo assim erra bastante só que aí mora a previsibilidade, em pé sempre terá um marcador nele pela possibilidade de passe, vejam:

Photo by draftbreakdown.com
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Todas as jogadas ele fica em pé e não se enganem, são raras as vezes que você verá Engram sentado com as mãos na sujeira desse jeito:

Photo by Dave Shopland and NFL UK

Vejam Rob Gronkowski totalmente alinhado com a linha ofensiva, nessa posição “sentada” ele terá um leque de possibilidades como bloquear ou bloquear e sair para receber ou ir receber direto. Insisto nessa tecla porque ele vai precisar aprender ao menos isso, não precisa nem ser o bloqueador mestre na NFL, porém, já iniciado nessa posição tenho certeza que o OC Sullivan conseguirá aproveitar melhor o jogador e Eli agradecerá porque será mais um possível bloqueador para garantir segundos preciosos para lançar, isso sem contar que quando Engram ficará em pé como recebedor mesmo confundirá ainda mais a defesa adversária. 

Além do mais, o QB Eli Manning daria conta do recado distribuindo passes para Brandon Marshall, Odell Beckham Jr, Sterling Shepard e Engram. Quando na verdade eles deveriam contar com ao mínimo uma proteção para o Eli Manning para pensar em boas atuações, ou seja, é garantir o mínimo para colher frutos maiores depois, por isso, uma escolha mais SEGURA seria Njoku que sabe fazer bloqueios melhor que o Engram para quem precisava de um TE conseguiu um quase WR completo.

02. Dalvin Tomlinson (DT, Alabama) – 2º Round, 55ª Pick:

Photo by Marvin Gentry and USA TODAY Sports

Essa foi uma das piores escolhas que eu já vi na minha vida, não tem qualquer sentido porque não haviam relatos sequer do interesse do Giants no jogador, porém, depois de ler muito sobre o jogador e sobre a escolha percebi que a comissão do Giants estava apaixonada por esse jogador, Marc Ross e Jerrey Reese disseram que se o jogador teve a melhor entrevista de todo combine feita pela franquia (para ver a notícia completa, clique aqui) e que o potencial de liderança , sem contar que seria o substituto perfeito para o então contrato por Colts DT Jonathan Hankins, porém,uma lesão em cada joelho ainda é uma preocupação.

Novamente, não estou dizendo que Dalvin Tomlonson é ruim mas o board do draft no momento existiam nomes tais como Zach Cunningham (LB, Vanderbilt), Tanoh Kpassagnon (EDGE, Villanova), Dion Dawkins (OT/G, Temple) e Taylor Moton (OT/G, Western Michigan)… Nomes de prospectos mais valiosos e com menos riscos, se por exemplo, o Giants fosse com Moton (OT, Western Michigan) uma das maiores necessidades do time teria sido resolvida, mas Reese e companhia (não é só ele) resolveram apostar nos elementos que Tomlison pode proporcionar no futuro, aqui é o terceiro erro do GM de New York.

Apesar de provavelmente o jogador virar titular do time, porém, o mais engraçado é que apenas um DT havia saído no draft, Malik McDowell e supostamente o Jonathan Allen (DE/DT, Alabama), ou seja, ainda existiam jogadores mais bem classificados que Tomlison sendo que mais uma vez o Giants deixou de valor o adequado a sua escolha, o que resta aqui é torcer.

03. Davis Webb (QB, Cal) – 3º Round, 87ª Pick:

Photo by Corey Sipkin

Esse aqui é o mais difícil de escrever sobre porque Davis Webb foi minha aposta como QB no artigo que escrevi sobre os melhores QB’s do draft (notícia completa, clique aqui), acertei até o round, porém, naquela época ele era um jogador desvalorizado mas sua mecânica era leve e pouco viciada, bastava tirar alguns defeitos aqui e outros lá que o jogador diminuiria seu passe em segundos preciosos, além de ser um ótimo pocket pass, cenário ideal para o Giants.

Posteriormente, com boas aparições no Senior Bowl e com um bom combine, o jogador subiu e apareceu em quase todos os mock’s feito por especialistas sempre no segundo round e em poucos casos até mesmo no primeiro, o que torna um potencial jogador com forte esperanças futuras para qualquer franquia, além do Giants, o jogador era especulado no Arizona Cardinals.

Seja como for, mesmo sendo um ótimo “steal” do Giants ao pegar ele por uma escolha mais baixa que o esperado, ainda sim, essa escolha de terceiro round seria para fechar mais um jogador com potencial para atender as necessidades da franquia, porém, através de uma troca (trade up e não trade down) com Detroit, o Patriots apareceu com a 85ª pick e selecionou Antonio Garcia (OT, Troy).

Quando o pick apareceu no telão eu não acreditei, cansei de falar desse cara, defendia constantemente que ele tinha uma técnica parecida com a do Bolles mas era mais novo e precisava melhorar o físico, porém, sem prévio aviso, Tio Bill subiu e literalmente roubou de nós um excelente tackle justamente pensando que Giants, Raiders, Texans e Seahwks poderiam querer o jogador.

Mas para aumentar meu desespero, fui dar uma olhada no board e percebi que ainda tinha disponível os seguintes jogadores: D’Onta Foreman (RB, Texas), Montravius Adams (DT, Alburn), Trey Hendrickson (EDGE, Florida Atlantic), James Conner (RB, Pittsburgh) e Kendall Beckwith (LB, LSU). Pensei, “maravilha”, vários jogadores ótimos nas posições que a franquia precisa, não tem erro agora, chega a vez do Giants no relógio e para minha surpresa Davis Webb foi selecionado.

Nesse momento uma relação de amor e ódio ficou na minha cabeça, porém, tempo depois que fui processando o draft como um todo percebi a tamanha “aposta” que Reese comprou para ele, por mais que Eli esteja no final de sua carreira ou que alguém tenha até mesmo um prazo de validade, ainda sim, era necessário gastarmos uma escolha em QB nos late rounds, assim como tanto falei e demonstrei que os próprios insiders pensavam o mesmo, para deixar alguém no banco que não seja nas três primeiras rodadas.

O fato é que foi desnecessário e imprudente, aqui ao meu ver foi o quarto erro do Reese, Webb pode chegar e destruir na pré temporada (minha torcida é essa) e já garantir um lugar nos 53 jogadores do rooster para desespero do Geno Smith, porém, a verdade é que aqui o Giants perdeu a chance de trazer um bom jogador titular que ajudaria o time a ganhar títulos agora e não no futuro, D’Onta Foreman e Conner não eram simples corredores e sim possíveis soluções para a franquia e para Eli Manning tanto com corridas, bloqueios e retirada da marcação cover 2.

Imaginem, se com a ameaça de Brandon Marshall e Engram já dizem ser o fim da cover 2 nas defesas contra o Giants, imagina com um power corredor atropelador que force o Safeties a saírem lá do fundo para marcar uma possível corrida, seria mais espaço para Eli Manning.

Aqui, a única alternativa que deve ter passado na cabeça do Reese foi valor do tipo, peguei um possível QB futuro da franquia ou reserva imediato que estava pendente para o segundo round no terceiro round. Entretanto, mesmo com essa justificativa e assistindo todas as entrevistas dele falando que Webb é um bom QB e um verdadeiro líder dentro de campo, não me convenceu que valeu a pena.

Por fim, volto a dizer, sou fã do Davis Webb desde os primórdios do draft e todos que me conhecem sabem disso, por isso, vou torcer incansavelmente por esse cara mas ainda acho que o Reese poderia fazer melhor até aqui.

04. Wayne Gallman (RB, Clemson) – 4º Round, 140ª Pick:

Já daqui para frente, ficou bem claro que ele levou em consideração as necessidades do time e apostou de forma precisa nisso e Gallman é prova concreta disso porque o jogador é um corredor forte e explosivo exatamente como o Giants precisa para quebrar a cover 2 em qualquer defesa. Esse jogador com o aprendizado de técnicas certas pode ser uma boa adição ao backfield, diferente do meu colega Lucas, eu aposto no Gallman entrando em situações de terceiro ou quarto down para poucas jardas, algo entre 300 jardas e 4 touchdowns.

05. Avery Moss (EDGE, Youngstown State) – 5º Round, 167ª Pick:

Outra necessidade e outro exemplo claro, aqui Reese demonstrou saber o que estava fazendo, pegou um jogador especialista em pass rush, diria que Moss não sabe nem marcar um corredor, qualquer jogo que você ver dele irá perceber quanto a mecânica dele dentro da linha ofensiva é pobre e fraca, porém, quando ele joga por fora da linha ofensiva buscando o GAP externo, é outro jogador, um verdadeiro leão atrás de sua caça, aqui é exatamente onde nasce sua função além de ajudar o Jason Pierre-Paul e Olivier Vernon a descansarem alguns snap’s durante as partidas, já vejo ele disputando vaga com Owa Odighizuwa, Kerry Wynn e Romeo Okwara, se não mostrar potencial deve ficar no elenco inativo.

06. Adam Bisnowaty (OT, Pittsburgh) – 6º Round, 200ª Pick:

Aqui se encontra o quinto erro do Reese nesse draft de 2017, não pelo jogador e sim por abrir mão de uma escolha para ir atrás dele, Giants pegou a 200ª pick do Tennessee Titans pelas pick’s 207ª e 241ª. Eu sei, você deve estar pensando, mas é só uma escolha de sétimo round, qual diferença fazia?

Eu vou dar um único exemplo, o Giants poderia ter selecionado Zane Gonzalez (K, Arizona State) nessas escolhas e ter suprido mais uma necessidade do time ou poderia ter ido em outras apostas como Ejuan Price (LB, Pittsburgh), Chad Kelly (QB, Ole Miss) e Joshua Holsey (CB, Auburn) ajudando outros setores sem comprometer o números de escolhas porque querendo ou não o draft será a principal via de renovação do elenco até 2020 já que é o prazo de vencimento dos maiores contratos no elenco atualmente.

Por outro lado, posso citar tranquilamente que Bisnowaty tem forte experiência na posição de tackle esquerdo, por isso, CUIDADO FLOWERS, o seu cargo está sobre ameaça, isso é muito bom para o Giants, as disputas dentro do elenco trazem o melhor dos jogadores e tenho certeza que ambos possuem muito a provar.

Seja como for, agora é torcer por esses jogadores para que eles acreditem si mesmos porque só depende deles de agora em diante.

07. Undrafted free agent’s (UDFA)

Agora, me desculpem os “haters do Reese” mas se existe em alguma coisa que ele faz direito, é isso aqui. Essa comissão do Giants procura talentos como ninguém, vide Victor Cruz, por isso, vou destacar alguns nomes que vocês precisam ficar de olho: Jarron Jones (DT, Notre Dame), Chad Wheeler (OT, USC) e Travis Rudolph (WR, Florida State).

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Eu citei Jones incansavelmente no dia do draft porque ele era um jogador de valor no quarto round mas sempre caia bastante podendo ser selecionado no quinto ou sexto round na maioria dos mock’s draft, acontece que fatores extra campo causaram tanto impacto no jogador que ele se quer foi selecionado, ótimo para o Giants que não brincou em serviço e correu para assinar com o jogador.

Já Chad Wheeler tem um histórico de lesões que espanta os olheiros que foram ver o jogador mas os que tiveram coragem em observar os jogos dele disseram que ele tem bastante técnica, sim, muita técnica e possui muita inteligência para praticar mas é uma “montanha russa” no jogo, foi essa a expressão data por um olheiro, porque no meio do jogo ele está bem e cinco minutos depois não está rendendo nada porque ele não tem uma condição física boa, se isso é natural do seu corpo ou por causa das lesões ninguém sabe mais o Giants resolveram apostar no jogador e tentar ao menos pagar para ver o quão talentoso e lesionado ele é para determinar se vale a pena ou não ficar com o mesmo.

Por fim, Travis Rudolph, dizem que ele não tem aquele “juice”, aquela coisa especial de recebedores, principalmente em rotas longas que falta o gás necessário mas como o Giants usa rotas curtas e bolas rápidas talvez o jogador seja bem aproveitado.

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  • Felipe Negrelli Wolter

    Excelente análise
    è tão bom ver um analista sincero, que critica quando tem q criticar, elogia quando tem que elogiar, sem puxar o saco e com opiniões bem embasadas
    excelente

    • Lennon Guidolini

      Valeu, Felipe. Construímos conteúdo para isso.

  • Marcos Vinicius Santos Inacio

    Ótimo post, concordo com praticamente tudo o que disse e agora é torcer pra que esses “erros” vinguem para ajudar a franquia

    • Lennon Guidolini

      Valeu, Marcos. é essencial esse feedback para melhorar o site cada vez mais

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