Fala galera, aproveitando que a pré temporada anda bem parada e sem muitas novidades, escolhi falar um pouco sobre a defesa do New York Football Giants, como ela ficou ano passado, qual foi o segredo do sucesso e quais os desafios para temporada de 2017/2018.



Photo by Metro.us

  • NYPD – TEMPORADA DE 2016/2017

Durante a temporada regular muitos fãs acompanharam de perto a formação de uma das melhores unidades da liga, se não a melhor, conhecida por barrar quaisquer tentativas de passes completos, nasceu a NYPD – New York Pass Defense. Constituída por jogadores chaves e outros rotacionais que eram de supra importância a secundária de New York causou o terror em muitos jogos e foi responsável por garantir muitas vitórias da franquia durante a temporada passada.

Todavia, antes de falar sobre os jogadores, vale ressaltar os números para os viciados em dados, essa tarefa foi relativamente fácil porque foram muitos feitos, entre eles vale destacar: segunda melhor defesa que menos cede pontos (17.8 por jogo), segunda melhor defesa defendendo passes, segundo menor potencial de passes completos contra ela e o menor índice de touchdowns na red zone.

Tal trabalho deve ser reconhecido e dedicado, primeiramente, ao coordenador defensivo Steve Spagnuolo e ao então desconhecido treinador de secundária/conerbacks Tim Walton que entrou para a franquia no início de 2015. Juntos, eles reviveram o playbook do time com uma porção de jogadas novas e tiraram máximo proveito das recentes contratações até então feitas pela franquia.

Donos de muitos feitos e façanhas, os membros do “esquadrão” são:

  1. CB Janoris Jenkins – 44 tackles, 1.0 sack, 3 interceptações e um fumble forçado – Participou de 86.13% dos snaps defensivos durante toda temporada;
  2. CB Dominique Rodgers-Cromartie – 41 tackles, 1.0 sack, 6 interceptações – Participou de 66.13% dos snaps defensivos durante toda temporada;
  3. CB Eli Apple – 41 tackles, uma interceptação e um fumble forçado- Participou de 66.06% dos snaps defensivos durante toda temporada;
  4. SS Landon Collins – 100 tackles, 4.0 sacks, cinco interpretações- Participou de 99.05% dos snaps defensivos durante toda temporada;
  5. FS Andrew Adams – 31 tackles, uma interceptação- Participou de 67.30% dos snaps defensivos durante toda temporada;
  6. CB Leon Hall – 21 tackles, uma interceptação, 2.0 sacks – Participou de 34.59% dos snaps defensivos durante toda temporada;
  7. CB Trevin Wade –  24 tackles – Participou de 31.98% dos snaps defensivos durante toda temporada.

Capa produzida pelo jornal New York Post publicada em 05/01/2017

São bons números repletos de interceptações e participações pontuais em momentos dos jogos. Para você criar uma noção de rotatividade presente entre esses jogadores (pois somente quatro ficavam em campo) basta ver que jogadores como Keenan Robinson, Jason Pierre-Paul e Casillas que eram titulares absolutos em suas posições ficavam relativamente 70% dos snaps defensivos em toda temporada, Andrew Adams que foi titular parte da temporada tem quase o mesmo índice.

Por isso, os jogadores reservas também eram tão importantes nesse esquema, a participação deles era quase a mesma que o DT Damon Harrison, por exemplo, porque Landon Collins, DRC, Eli Apple, Andrew Adams e Jenkins tiveram mais snaps individualmente do que “Snacks” mesmo tento apenas quatro vagas em campo para tantos jogadores.

O que acontece é que a principal e “primeira arma do esquadrão” em campo era a rotação de jogadores dentro do elenco. A lógica é bem simples, um jogador descansado e participando um número de snaps limitado poderá usar suas técnicas e habilidades com mais eficácia quando estiver em campo do que os jogadores que ficam quase todo os snaps em campo, basta ver o rendimento individualmente, é bem lógico que no início o jogador tem maior intensidade mas durante a partida vai caindo gradativamente.

Além disso, seria imaturo e perigoso manter jogadores com idade mais avançada em campo por muito tempo, os resultados não iriam melhorar porque ele joga mais e sim quando o jogador joga com intensamente, por exemplo, se você conferir os stats de DRC, verá que desde 2009 o jogador não tem seis interceptações em uma temporada, vale ressaltar que em 2009 foi o segundo ano do jogador na NFL, ou seja, o jogador com 31 anos conseguiu fazer números parecidos com os números do segundo ano como profissional na liga.

A “segunda arma do esquadrão” é a versatilidade de posições entre eles. Esse é um fator pouco visto pelos especialistas mas muito bem apontado pelos técnicos quando fazem o playbook de ataque antes de enfrentar a defesa de New York, porém, todos eles tem a mesma dificuldade em determina que tipo de marcação pode acontecer porque os jogadores apesarem de ter suas principais funções constantemente estão mudando para enganar a leitura do QB adversário.

Por exemplo, apesar de Hall ser um CB natural, ele em muitas vezes entrava no lugar do FS (geralmente era o Andew Adams) para marcar o slot caso tenha algum recebedor como também ficava marcando em zona como um FS natural, isso acabava com as esperanças de leitura prévia por parte do ataque adversário porque você imagina ser fácil perceber quando estava apenas o Hall fazendo isso, agora imagine com DRC podendo jogar tanto de SLOT como OUTSIDE ou quando Eli Apple ficava no SLOT deixando DRC no OUTSIDE com Hall em campo, a confusão está armada.

  • NYPD – JOGADAS DESTAQUES

A terceira “arma do esquadrão” é a leitura da defesa para separar as marcações em zonas e individuais. Para isso, vou utilizar as jogadas previamente separadas em um artigo escrito por John Schmeelk (para ver o artigo completo clique aqui), ele pegou cinco jogadas que demonstram isso muito bem, porém, irei utilizar de apenas duas delas com alguns acréscimos.

Photo by NFL.COM

A primeira jogada que resolvi separar do artigo é essa “Scheme” em um esquema “third-and-theree” por zona colocando dois LB’s no meio e os DE’s fazendo a cobertura por fora, os LB’s estão impedindo possíveis avanços do QB ou RB pelo meio e os DE’s cobrindo as laterais impedindo aqueles passes curtos na lateral.

Vocês devem observar que Landon Collins está sozinho no fundo (perto do simbolo da NFL) fazendo a marcação “shadow” no QB adversário (marcação pelos olhos), todos os recebedores de Dallas estão perfeitamente marcados individualmente por cada jogador de defesa do Giants e não existe qualquer outra possibilidade a se fazer, tanto é que a jogada terminou com passe incompleto pelo ataque de Dallas.

Eu gosto muito dessa jogada porque ela depende exclusivamente da execução perfeita na marcação individual da secundária. Se deu tão certo no Giants é porque os jogadores souberam fazer com muita eficiência visto que um menor erro entre eles de comunicação algum recebedor adversário pode ficar livre.

Photo by NFL.COM

Aqui, a mesma jogada em outro momento, porém, contra situação de passe onde o time adversário aparece com mais um recebedor e o RB corre para receber passe, dessa maneira os dois LB’s que ficavam esperando o RB deixam seus postos porque um deles vai subir para marcação individual do TE adversário e o outro ficará junto do RB, além de dois CB’s que acompanham os recebedores adversários sendo que o FS e SS ficam livres já que a situação é de exclusiva de passe.

Na jogada, Prescott fica no pocket, abrindo mão da corrida com o RB, todos os recebedores estão sobre marcação individual, exceto o LB que está vigiando Ezekiel de longe, por isso, devido a falta de opções para passe Prescott resolve correr e fatalmente e pego pela cobertura desse mesmo LB que só avançou após a passagem da linha de scrimmage.

Coloquei essas duas jogadas especificamente porque são a somatória de todas as “armas” que eu apontei aqui, o rodízio entre os jogadores para confundir os ataques adversários, a rotação de posição e a leitura perfeita na marcação individual.

Digo isso com facilidade porque geralmente seria mais fácil para a defesa deixar o LB a frente e trazer o FS ou SS para a marcação (mais perto das trincheiras), mas a imagem acima mostra claramente que o LB correu para fazer marcação individual (atrás, longe das trincheiras) com um recebedor que em muitas vezes é mais veloz que ele, porém, a secundária do Giants usa muito bem a composição do seu elenco e consegue desviar esse passe.

  • TEMPORADA DE 2017/2018 – DESAFIOS

Nem tudo são flores para a defesa nova iorquina. Apesar dos excelentes números e destaques, o PFF colocou a secundária do Giants apenas na 19ª melhor posição, eu esperava uma classificação melhor mas acredito que a quantidade de jardas cedidas tenha prejudicado a classificação do time no ranking geral.

Photo by Profootballfocus.com

Outro problema, fora as saídas de alguns jogadores do “esquadrão”, por isso, jogadores como Leon Hall e Trevin Wade foram rapidamente substituídos mas não existem garantias do resultados, logo mesmo não sendo o fim do mundo a saída desses jogadores ainda sim não é fácil achar substituto.

Entretanto, ao que tudo indica a secundária do Giants vai com os CB’s Janoris Jenkins, Dominique Rodgers-Cromartie, Eli Apple, Michael Hunter e Donte Deayon. Já como FS e SS o Giants contará com Landon Collins, Darian Thompson, Andrew Adams e Nat Berhe.

Dessa maneira, ao que tudo indica o Giants conseguiu achar alguns bons nomes como substitutos imediatos para a secundária porque Michael Hunter e Donte Deayon tem sido surpresas agraveis que podem render bons frutos.

Além disso, colocaria como titular absoluto na posição de FS para Darian Thompson, o jogador possui um enorme potencial a ser explorado o mais urgente possível e pelo fato dele já ter sido titular, não é hora de poupar o jogador ou segurar o freio para que ele volte aos poucos, na verdade, a hora é de tirar cada gota de suor do mesmo para tirar o máximo de proveito até onde o jogador consegue ir.

Por isso, creio que a secundária irá melhorar ainda mais com essas novas aquisições que diga-se de passagem possuem mais futuro, mais força e mais inteligentes podendo ameaçar até mesmo a contagem de snaps com titulares absoltos da posição.

Não esqueçam de fazer o download do nosso aplicativo e avaliar ele também. Aproveite e se inscreva no nosso canal no YouTube! ?