Em 2004, por terem tido um desempenho pífio no ano anterior, os Giants ficaram com a quarta escolha do draft. O plano era conhecido de todos e o GM da época, Ernie Acorsi, não escondia de ninguém: eles sonhavam em recrutar um garoto caipira vindo de Ole Miss, cujo estilo de jogo se encaixaria perfeitamente no que o técnico recém contratado do Jacksonville Jaguars, Tom Coughlin, queria implantar em New York. Porém, sabendo dessa intenção dos Giants, o San Diego Chargers se antecipou e fez a primeira escolha do evento daquele ano, selecionando Eli Manning. Como resultado, os Giants escolheram Phillip Rivers e acabaram se envolvendo numa troca que os Chargers e praticamente toda a NFL, na época e por alguns anos, viram como um negócio da China: Manning por Rivers e mais um caminhão de picks, que incluiu o primeiro de 2005, levando o linebacker Shawne Merriman para San Diego. Os dirigentes dos Chargers, além de rir da situação por muito tempo, disseram que a função de Manning, na ocasião, seria a mesma de “uma barra de ouro”, funcionando como moeda de troca extremamente valorizada. No fundo, todos sabiam abertamente que o próprio Eli havia declarado, na véspera, que não queria “de jeito nenhum” atuar pelos Chargers, sabendo das intenções dos Giants para com ele.



Manning começou a temporada na reserva do ex-MVP Kurt Warner. A equipe começou bem o ano, com 5-2 de desempenho. Mas, na nona semana, com Warner tendo um desempenho displicente, chegou a vez de Coughlin colocar em ação o plano desenhado no escritório da diretoria dos Giants e dar uma chance para o rookie, irmão da sensação Peyton Manning, dos Colts. Ainda perdido no ritmo da NFL, Manning teve más atuações, sofrendo constantes interceptações e lançando passes ruins. Sua melhor participação viria na partida final, contra os Cowboys, quando passou para 3 TDs na vitória por 28-24 sobre o rival. Com 6-10 na conta, os Giants estavam fora dos playoffs.

No seu primeiro ano como veterano e titular, Manning recebeu um importante reforço: o receiver Plaxico Burress, um alvo alto e talentoso, vindo do Pittsburgh Steelers. Com uma boa defesa e com o RB Tiki Barber quebrando o recorde da franquia em jardas terrestres (1.850), os Giants chegariam à pós-temporada com o seu renovado time, porém, uma incontestável derrota para o Carolina Panthers, por 23-0, aniquilaria os sonhos dos G-Men de seguir adiante. O ano foi um pouco mais triste, em especial, pelo falecimento de Wellington Mara, o lendário dono da franquia.

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A mídia fez muito barulho para o início do campeonato de 2006, afinal, pela primeira vez aconteceria o chamado “Manning Bowl”, reunindo Eli e Peyton, cada um de um lado, no confronto entre Giants e Colts. Mesmo perdendo por 26-21, o caçula saiu de cabeça erguida do campo, devido às suas 276 jardas e 2 passes para TDs. Uma semana depois, Eli foi ainda melhor e completou 371 jardas aéreas e 3 TDs para que os Giants batessem os Eagles na prorrogação, por 30-24, após estarem atrás por 17 pontos. Mas as alegrias acabaram por aí. Após uma turbulenta bye week, Shockey foi à imprensa criticar Coughlin e seu estilo. A seguir, foi a vez de Barber abrir guerra verbal contra tudo e contra todos, ameaçando encerrar a sua carreira no fim daquele ano. Para piorar, Michael Strahan, Osi Umenyiora e Justin Tuck se machucaram, abrindo um buraco na linha defensiva. No ataque, Amani Toomer também se lesionou e ficou de fora do time. Mesmo com chance de playoffs na última rodada, os Giants falharam ao, perderem para os Eagles, que anotaram um fieldgoal nos instantes finais, vencendo por apenas 24-21. Como cereja do bolo, Barber foi à TV e disse estar encerrando a sua trajetória no esporte ali, muito por culpa de Coughlin e do ambiente insuportável nos vestiários.

Quando começou a temporada de 2007, poucos acreditavam que algo de bom pudesse vir dos Giants. Afinal, com um ambiente conturbado, reforçado com as críticas ao seu treinador, por muitos considerado ultrapassado, em especial pelas feitas pela ex-estrela Tiki Barber, agora dono de seu próprio programa de TV, como sair daquela situação? Um novo GM foi chamado para tentar organizar o circo, no caso, Jerry Reese. Fora de campo, a desconfiança era enorme. Após um começo hesitante, com duas derrotas e jogando mal, os Giants finalmente conseguiram algum progresso ao vencer uma partida contra os Redskins, após estarem perdendo no intervalo por 17-3. Essa virada marcou também o arranque do time cuja defesa parecia um queijo suíço, com mais quatro triunfos consecutivos. Numa delas, contra o Miami Dolphins, a equipe fez história ao atuar e vencer no Wembley Stadium, em Londres, no primeiro jogo da liga na Europa. Pouco depois da metade do campeonato, parecia que tudo terminaria novamente em frustração para os Giants, quando a estrela da companhia, Jeremy Shockey, fraturou a perna no segundo jogo contra os Resdkins, desta vez em NY. Porém, o efeito foi justamente o contrário. Com uma sensível melhora nas últimas partidas, com Kevin Boss, calouro, no lugar de Shockey, o ambiente melhorou muito e Manning parecia mais à vontade em campo. A vaga nos playoffs veio na penúltima rodada, contra os fracos Bills, numa Buffalo sob neve. Mas o momento definitivo da virada, curiosamente, aconteceria numa derrota, em casa, para o New England Patriots. Mesmo sendo derrotados por 38-35, em um jogo eletrizante, os jogadores se reuniram após a partida e conversaram bastante entre eles. O tema: seria possível irem adiante se melhorasse em alguns detalhes, afinal, quase haviam derrotado uma equipe até então invicta, com um dos ataques mais avassaladores dos últimos tempos.

Nos playoffs, os Giants sabiam que teriam que atuar fora de casa em todas as partidas. Aparentemente, isso não foi nenhum problema, muito pelo contrário. Com as esperanças renovadas e cada vez mais unidos, nasciam ali os “Road Warriors”, guerreiros que foram combater fora de casa e, em cada uma das vezes, voltavam para New York com uma nova vítima. A primeira delas, no Wild Card, foi o Tampa Bay Buccaneers,que mesmo chegando a liderar o marcador na ensolarada Florida, não resistiu no segundo tempo e foi eliminado da disputa. A seguir, viria uma vitória ainda mais doce, contra os eternos rivais Cowboys. Após terem perdido os dois jogos da temporada regular para a equipe texana, os Giants entraram no campo adversário cheios de gana. Um dos principais motivos foi a viagem feita pelo QB Tony Romo, inocentemente, para passar o feriado de descanso do time (enquanto os Giants estavam lutando contra os Bucs), para um final de semana romântico no México com a sua famosa namorada, regados a beijos e margaritas. Quando a bola voou em Dallas, os Giants entraram com uma intensidade ainda maior, travando um duelo de titãs pelo título Divisional. Depois de muita disputa e pauladas em Romo, a vitória chegou para NY, pelo placar de 21-17, numa atuação memorável da defesa e do WR Toomer. Assim, após sete anos, o Big Blue estava de novo numa decisão de Conferência, desta vez para enfrentar o fortíssimo Packers, de Brett Favre. A partida foi daquelas para judiar do coração de qualquer torcedor, fosse ele de qualquer time. Com muita neve e vento, o drama só terminou na prorrogação, quando o kicker Lawrence Tynes¸que já havia perdido a chance de nos dar a vitória no final do tempo regulamentar, acertou um fieldgoal de 47 jardas e passou para a história de vilão a herói. Tempos depois, Tynes contou que nunca havia experimentado algo parecido na vida, acrescentando que, assim que tirou a sua chuteira no vestiário em festa, o seu dedão estava quase preto, fruto da pancada numa bola praticamente congelada como pedra.

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Chega o grande dia que nem o mais esperançoso dos torcedores novaiorquinos poderia imaginar, se perguntado sobre isso no início da temporada. Os Giants estavam no Super Bowl XLII, para enfrentarem os mais do que favoritos Patriots, prontos para colocarem o seu nome na eternidade como campeões invictos, feito só alcançado pelos Dolphins de 1972, mas que na época disputaram menos jogos. Antes mesmo da partida em Glendale começar, o clima entre os jogadores já era de total determinação, com direito a uma viagem de avião para o Arizona, local da partida, com todos os jogadores vestidos de preto, como se estivessem indo para o velório de Tom Brady e de seus companheiros. Com a bola em jogo, foi travada uma das batalhas mais épicas do esporte americano, com vários lances dignos de filme clichê. Ao final, com Manning eleito MVP, com Burress como herói, David Tyree como arma secreta e uma defesa avassaladora comandada pelo treinador do setor, Steve Spagnuolo, os Giants calavam o mundo e chegavam ao seu terceiro Lombardi, com o placar de 17-14.

Imagem: NY Daily News

2008 começou diferente para os Giants. Com Manning afastando (ainda que temporariamente) a desconfiança sobre o seu talento e com Coughlin passando de ultrapassado a treinador exemplar, o time teve um início de temporada muito bom. Tudo ia às mil maravilhas, com um início 10-1, até a fatídica noite em que Burress, que deveria estar se cuidando para se recuperar de uma lesão muscular, acabou disparando um tiro acidental contra a própria perna, numa boate de Manhattan. Junto com ele, estava o linebacker Antonio Pierce, mas que não se feriu na ocasião. Porém, com a conturbação do ambiente e a iminente prisão do principal WR da equipe, tudo o que os Giants haviam construído até ali começava a ruir. E, de fato, tudo ruiu de vez quando a equipe perdeu o Divisional, em casa, para os Eagles, por 23-11.

Em 2009, com Burress preso e um começo ruim de ano, a imprensa de NY voltou a pressionar a equipe, que começou mal o campeonato. Contratações equivocadas e contusões em excesso prejudicaram bastante os Giants, que acabariam chegando cambaleantes ao final da temporada, perdendo três das últimas quatro partidas após cederem mais de 40 pontos aos adversários. Tal fragilidade custou o emprego do coordenador defensivo Bill Sheridan, que deu lugar a Perry Fewell.

No ano seguinte, novamente “inconsistência” foi a marca registrada do time, alternando ótimas performances com outras simplesmente horrorosas. Com Manning tendo o recorde negativo de turnovers de toda a Liga (25), voltou ao ar aquela velha dúvida: “o quão bom realmente ele é?” A resposta, na ocasião, não foi das melhores. Chegando nas últimas semanas com alguma chance de playoffs, os Giants acabaram caindo dolorosamente diante dos Eagles, naquele que ficou conhecido como “O Milagre de New Meadowlands”, em alusão à catástrofe de 1978 e ao fato da equipe estar em um novo estádio, em área vizinha ao anterior. Com 8 minutos para o fim, os donos da casa lideravam por 31-10 e já pensavam no próximo adversário. Contudo, a defesa deu bobeira e permitiu dois TDs em cerca de dois minutos. Para piorar, o ataque inesperadamente parou de pontuar, enquanto o time de Michael Vick acelerava quando tinha a bola. Com pouco mais de um minuto para terminar, os visitantes empataram a disputa, diante de milhares de torcedores atônitos. Mas os Giants ainda teriam aquela que deveria ser a última posse de bola. Entretanto, o ataque novamente não correspondeu. Quando o punter novato Matt Dodge foi para o campo, uma certa tensão já tomava conta da torcida. Afinal, o calouro havia tido uma temporada bastante irregular, após ser draftado para subsituir o veterano Jeff Feagles, que marcou época na liga. Dodge foi para o puntDeSean Jackson derrubou a bola, mas o trabalho de cobertura dos especialistas foi simplesmente horroroso, permitindo que Jackson recuperasse o muffed e começasse a correr entre os jogadores das duas equipes, chegando à endzone dos Giants na maior tranquilidade, com o cronômetro zerado, para o desespero de Coughlin, que berrava com Dodge por não ter cumprido o combinado (chutar a bola pra fora), como se somente aquilo tivesse determinado a nossa derrota. Na partida final, mesmo derrotando os Redskins, fora de casa, os Giants acabariam eliminados pelos Packers, no quesito “confronto direto”, já que terminaram com a mesma campanha (10-6). Ironicamente, o Super Bowl daquele ano ficaria para o time liderado por Aaron Rodgers e Clay Matthews, algo parecido com o que os próprios Giants já haviam feito num passado recente.

Começa 2011 e os EUA inteiro questionam os Giants. As provocações sobre Manning só aumentam, ainda mais depois da sua performance pífia no ano anterior. Numa delas, em um programa de rádio, inesperadamente o entrevistador pergunta ao jogador se ele se considerava um quarterback de elite, como o queridinho da mídia Tom Brady, mesmo com este tendo sido derrotado por Manning no Super Bowl em que se encontraram. A resposta Eli foi calma, dizendo que “sim, que provavelmente estivessem no mesmo nível”. Pronto: estava feita a maior gozação americana da offseason. Com os Giants sendo colocados de lado em NY, cuja cobertura ia dando cada vez mais espaço para o falastrão treinador Rex Ryan e suas provocações, avocando a “propriedade” da cidade aos Jets, parecia que o ano seria terrível para os G-Men, novamente. Como as coisas sempre podem piorar, após uma offseason marcada pela ameaça geral de greve dos jogadores da Liga, quando as coisas se resolveram os Giants se viram perdendo alguns de seus principais jogadores, como Kevin Boss e Steve Smith, dois dos melhores alvos de Manning. Na pré-temporada, os Giants mais pareciam um hospital de guerra do que um time de futebol americano, com diversos jogadores sofrendo lesões graves e tendo que ficar fora da temporada toda ou de muitos jogos. Mas quando o campeonato finalmente começou, aos poucos a equipe foi se acertando. Mesmo com o tradicional ataque terrestre perdendo o gás com os veteranos Ahmad Bradshaw e Brandon Jacobs, Manning, aos poucos, foi recuperando a boa e velha forma, acionando cada vez mais alvos como Hakeem Nicks, Jake Ballard e o novato Victor Cruz, jogador que sequer havia sido draftado e que perdera a tempora anterior inteira, por conta de lesão. Na defesa, com as seguidas lesões de Tuck e Umenyiora, começava a surgir um jovem chamado Jason Pierre-Paul, segundo-anista que, sem pedir para ninguém, logo se tornou o líder do setor defensivo. Com muita luta, os Giants acabaram conquistando, na última rodada, o título da NFC East, que parecia nivelada como há muito tempo não era, já que os favoritos Eagles (“Time dos Sonhos”, para muitos), não foram capazes de concretizar a expectativa formada sobre eles. Destaque para as três vitórias nas útlimas quatro rodadas, sendo uma contra os Jets (em partida que calou a boca de Ryan) e duas sobre os Cowboys, que tinham o título da Divisão na mão mas que não resistiram à pressão dos Giants.

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Nos playoffs, depois de muito tempo a equipe atuou na frente da torcida de NY. Com atuação arrasadora da defesa, que castigou Matt Ryan, QB do Atlanta Falcons, e uma performance brilhante de Nicks no ataque, uma vitória indiscutível aonde a única pontuação do adversário foi em um safety provocado pela defesa deles. Na partida seguinte, apenas quatro anos depois, os Giants voltaria a Green Bay para calar a empolgada torcida Cabeça-de-Queijo, que tinha plena certeza que o seu time, com campanha 15-1 não teria problemas em superar os baleados Giants. Ledo engano: com Rodgers pressionado o tempo todo e com uma guerra vencida nas trincheiras, os G-Men saíam novamente com a vitória da Frozen Tundra, rumando para decidir a NFC conta os 49ers, naquele que talvez tenha sido o maior clássico dos anos 80 e início dos 90. Debaixo de muita chuva, as defesas foram dominantes numa partida extremamente tensa, com alternância na liderança do placar e muita disputa na lama. Após empatarem no tempo normal por 17-17, o jogo foi para a prorrogação, ocasião em que, após punt de Steve Weatherford, o novato Kyle Williams tentou correr com a bola pelo nosso campo de ataque, mas foi surpreendido pelo também calouro Jacquian Williams, o qual voou para a bola, forçando um fumble, recuperado por David Thomas. Os Giants sabiam que a vitória seria questão de tempo, o que aconteceu alguns minutos depois, quando Tynes, novamente ele, acertou um fieldgoal de 31 jardas e recolocou os desacreditados Giants na grande decisão.

Steve Weatherford - NFC Championship - New York Giants v San Francisco 49ers

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O Super Bowl XLVI teve lugar em Indiana, cidade aonde o irmão de Eli, Peyton, tornou-se ídolo. Desta forma e somado ao fato de estarem novamente do outro lado os Patriots, time não muito querido pela torcida local, os Giants chegavam para o jogo decisivo praticamente “jogando em casa”. Com muitos pontos coincidentes com a conquista de alguns anos atrás, a confiança do Big Blue estava muito forte para a decisão, mas todos sabiam que não seria nada fácil, pois teriam que superar uma equipe fortíssima, liderada por um QB com três vitórias em Super Bowls. A partida começou melhor para os Giants, depois, os Patriots inverteram o comando e passaram à frente. Na nossa última campanha ofensiva, com poucos minutos no relógio e uma desvantagem de dois pontos, Manning mais uma vez se superou em um lance de decisão, encontrando o WR Mario Manningham em um espaço mínimo de acerto, fazendo com que os Giants avançassem várias e importantes jardas. Com pouco menos de um minuto para o fim, um dos touchdowns menos comemorados de todos os Super Bowls, quando Bradshaw chegou à endzone com a “permissão” dos defensores dos Pats, que preferiam isso do que perder o jogo com um FG fácil de Tynes, com o relógio zerado. Nos instantes finais, nova pressão sobre Brady, o qual, mesmo sacado em uma das ocasiões, ainda teve fibra o suficiente para lançar um passe bomba para a endzone, felizmente desviado pela nossa secundária.

Após mais um título fantástico, os Giants começaram a temporada de 2012 como um dos principais favoritos a outro Super Bowl. Porém, alternando partidas muito boas com outras abaixo da crítica, a equipe acabou eliminada ainda na temporada regular, com um retrospecto 9-7 (curiosamente, o mesmo do ano vencedor anterior), perdendo a NFC East para os renovados Washington Redskins, comandados pelo provável novo astro do futuro, Robert Griffin III.

Depois de outra offseason sendo apontados como um dos times mais fortes da liga, os Giants entraram esperançosos na temporada 2013, contudo, acabaram o ano de forma frustrante. Com um início desastroso, perdendo os seis primeiros jogos, a equipe de NY foi eliminada prematuramente, liderou a liga em número de turnovers (só Eli Manning, lançou 27 interceptações) e terminou o campeonato com um retrospecto negativo (7-9), algo que não acontecia desde 2004, justamente, o primeiro ano da parceria Coughlin-Manning.

A 90ª temporada da sua história começaria de forma animadora para a torcida do Big Blue (ao menos, quando as partidas ainda não eram “para valer”). Contando o jogo festivo disputado em Canton, Ohio, válido como encerramento da cerimônia de indução ao Hall of Fame do futebol americano profissional, foram cinco vitórias consecutivas: naquela noite, contra Buffallo, e mais quatro no decorrer da preseason. Porém, apenas os resultados finais desses jogos eram positivos, considerando que, nos curtos momentos em que o time titular atuava, invariavelmente, os velhos problemas apareciam. Somente no decorrer das partidas, quando os primeiros, segundos e até mesmo os terceiros reservas iam a campo, é que o placar costumava mudar a favor dos Giants. Toda essa fragilidade acabou se refletindo também quando a temporada regular teve início: um recorde pior do que o do ano anterior (6-10), com direito a uma absurda sequência de sete derrotas, da semana 6 à 13 (com uma bye no meio). Para piorar, o então grande ídolo do time e de contrato milionário renovado há pouco tempo, Victor Cruz, sofreu uma lesão horripilante no joelho no início da sequência perdedora, no clássico em Philadelphia (que também o tiraria dos gramados no ano seguinte). Porém, como nem tudo pode se resumir a notícias ruins, naquela mesma temporada surgiu um novo fenômeno na NFL, de nome Odell Beckham Jr. Draftado sem grandes alardes na primeira rodada do evento de abril, vindo de LSU, Beckham teve a sua seleção criticada por muito tempo, já que muitos achavam que com Cruz e a então esperança Rueben Randle entre os receivers, não haveria a necessidade de a franquia de NY gastar a sua mais alta escolha em alguém da mesma posição. Além disso, com uma lesão muscular ainda na pré-temporada, Beckham perderia as quatro primeiras rodadas do campeonato de 2014. Porém, com a lesão de Cruz, a contínua inconsistência de Randle e, principalmente, com uma explosão de talento já na sua primeira partida, uma vitória em casa contra Atlanta, o #13 logo se tornou a grande estrela da companhia e esperança de um futuro vitorioso para os Giants. A cereja do bolo viria no dia 23 de novembro, contra Dallas, quando OBJ fez aquela que, discutivelmente, pode ser considerada a melhor recepção de um passe para touchdown já feita na história do esporte. Mesmo perdendo o Sunday Night Football para o rival de Divisão, a imagem do receiver desafiando as leis da gravidade, sofrendo falta e, ainda assim, agarrando a bola com apenas uma das mãos para cair com ela na endzone, rodou o mundo, causou e continua causando espanto!

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Celebrando a independência do país, o dia 4 de julho costuma ser uma data bastante aguardada nos EUA: auge do verão, férias escolares, fogos de artifício…ops! Fogos de artifício? Pois foi justamente com essa prática de belo efeito visual e consequências perigosas para quem o faz, que a temporada dos G-Men sofreu o seu primeiro revés, antes mesmo da preseason começar. Jason Pierre-Paul havia, literalmente, explodido a sua mão direita durante a comemoração do feriado na sua residência em Miami. Aumentado o seu drama pessoal, com o seu primeiro contrato expirado no fim do ano anterior e na certeza de ter condições de se tornar um dos defensive ends mais bem pagos da liga, antes do sinistro, JPP se recusava a assinar a franchise tag que lhe fora oferecida para atuar durante mais um ano, recebendo um alto salário. Motivo do atleta: numa profissão de tantos riscos, ter a garantia de apenas um ano de remuneração e, eventualmente, sofrer uma séria lesão em algum jogo, poderia representar a aposentadoria forçada e um enorme prejuízo financeiro para ele. Motivo dos Giants: as últimas temporadas de JPP não tiveram nem de perto o mesmo brilho da última arrancada para o Super Bowl. Aquele DE cheio de gana e determinação havia dado espaço para um jogador de comportamento fora de campo pouco compatível com um profissional, o que acabava refletindo nas suas atuações, cada vez menos dinâmicas (desconsiderando os últimos jogos do último ano, quando Pierre-Paul jogava por um novo contrato e conseguiu uma série de sacks contra adversários em jogos que pouco valiam para as duas equipes). Após um verdadeiro script de novela, com informações desencontradas e especulações sobre uma provável dispensa de JPP, que perdera o dedão, o indicador e parte do dedo médio da mão direita, o fato é que o jogador acabou retornando à equipe na semana 9, após uma dedicação sobrenatural à sua recuperação física e, não podemos negar, a fragilidade defensiva que os Giants apresentavam no decorrer da temporada regular. Mesmo com o retorno à comissão técnica do “mago” Spagnuolo, os Azuis tiveram uma das piores performances defensivas da história da NFL. Nem a empolgação com a volta de JPP foi capaz de consertar a situação na retaguarda novaiorquina, que acabaria, pelo quarto ano consecutivo, terminando o ano fora dos playoffs e, pela segunda temporada seguida, com o mesmo retrospecto pífio de 6-10.

Como prometido pelo CEO John Mara após o vexame de 2014, mudanças drásticas aconteceriam caso a equipe não se reerguesse já em 2015, e isso acabou refletindo no pedido de demissão feito por Coach Coughlin, embora, até hoje, muitos afirmem que feito contra a sua vontade, apenas numa maneira de não sair pela porta dos fundos da franquia a quem ajudou a dobrar o número de Super Bowls.

Se Tom Coughlin tinha a maior ou a menor parcela da culpa pelos recentes anos ruins, não podemos afirmar com a mesma certeza de que ele foi e sempre será uma figura histórica dentro dos Giants, com muita possibilidade de, um dia, vestir uma jaqueta dourada e ter o seu busto imortalizado em Canton, pelos serviços prestados ao futebol americano.

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