Em 2014, um dos pontos fracos do Giants foi o sistema defensivo. Prejudicado pelas contusões de jogadores chave como Prince Amukamara, Walter Thurmond III e Jon Beason, e com claras deficiências na linha defensiva e no corpo de linebackers, o time teve a quarta pior defesa em totais por jogo e a terceira pior contra o jogo corrido.



Para 2015, os Giants decidiram começar com mudanças no corpo técnico. Saiu o contestado Perry Fewell para o retorno de Steve Spagnuolo, que era o coordenador defensivo do time campeão do Superbowl XLII na temporada 2007/2008. A chegada de Spags trouxe junto algumas questões que torcedores, tanto americanos quanto brasileiros, colocaram na mesa:

1) Os Giants podem mudar o esquema defensivo do 4-3 para o 3-4?

Esta questão surgiu por conta de Spags ter sido assistente defensivo e depois assistente técnico do Baltimore Ravens nas duas últimas temporadas. Os Corvos jogam no esquema 3-4 e são conhecidos por ter uma defesa muito física e que pressiona o quarterback com frequência. Entretanto, é necessário entender três situações aqui.

Primeiro, Spags tem o 4-3 agressivo como filosofia. Em 2007, criou jogadas defensivas com três, as vezes quatro defensive ends na linha, com o objetivo de caçar o QB adversário.

Segundo, é necessário olhar para o passado da franquia e entender como as coisas são feitas. Historicamente o Giants é um time que não gosta de mudanças. Costuma manter treinadores por longos períodos, não se arrisca na Free Agency (Sim, ano passado foi uma surpresa para todos), gosta de formar o time no Draft e, o ponto principal para este texto, joga no esquema 4-3.

Em terceiro, hoje o elenco do Giants não tem as peças necessárias para uma mudança para o 3-4. Falta um jogador com características de Nose Tackle, que é uma posição vital para que o esquema funcione. Este jogador precisa ser experiente, muito forte e grande para segurar dois bloqueadores (um center e um guard) e ainda ter a técnica necessária para parar corridas pelo meio praticamente sozinho. Sem um jogador com estas características, a defesa 3-4 vira uma avenida para o jogo corrido pelo meio. Na Free Agency deste ano, existem alguns NT disponíveis, mas não vejo o time correndo atrás de algum deles.

Com base nestes três cenários, podemos dizer que uma mudança agora é pouco provável.

2) Então os Giants vão pressionar mais o quarterback?

Se considerar o histórico de Spags, a torcida pode sim aguardar muita pressão ao quarterback. Mas para isso, é necessário reforçar a linha defensiva com pelo menos dois defensive tackles mais parrudos para deixar o Johnathan Hankins com liberdade para forçar a penetração pelo meio da linha adversária, precisamos de pelo menos mais dois pass-rushers na FA ou no Draft e precisamos que JPP, Damontre Moore, Robert Ayers e Kerry Wynn mostrem desde o início o poder de fogo que mostraram no final da temporada passada.

3) Os Giants vão escolher um jogador de linha defensiva na primeira rodada?

É muito provável que sim. Apesar de muitas pessoas pedirem por linebackers, as chances maiores serão de um jogador de linha defensiva ou de linha ofensiva. Vai depender de quem estiver disponível na vez do Giants e das movimentações da FA. Jerry Reese costuma selecionar sempre o jogador que está no topo da sua lista de preferências, independente da posição, mas pela profundidade de pass-rushers no draft deste ano, um jogador com esta característica estará como primeira opção.

[pausa para falar do draft]: Alguns especialistas em Draft sugerem que caso Jameis Winston ou Marcus Mariota eventualmente sobrem até tão tarde, o Giants poderia trocar a escolha com um time que precise de QB para pegar uma primeira e segunda escolha este ano e, talvez, uma primeira no próximo ano, dependendo da posição no draft do time que propor a troca. Acho pouco provável um dos dois sobrar, mas talvez um WR top prospect pode escorregar até a 9ª escolha e, neste caso, podemos sim esperar uma troca um pouco mais modesta. [/fim da pausa]

4) Vamos reforçar a secundária?

Dos setores defensivos do Giants, a secundária foi a que menos problemas causou. Apesar de sofrer com algumas big plays, o time ficou em com a 15ª melhor defesa contra o jogo aéreo, mesmo com muitas contusões na unidade, como Prince Amukamara, Walter Thurmond III e Zack Bowman. Entretanto, a situação dos safeties do time é a que vai atrair mais atenções nesta offseason. Atualmente, apenas Nat Behre e Cooper Taylor tem contrato com o time. Antrel Rolle, Stevie Brown e Quintin Demps estão na lista de decisões para renovações. Além disto, o time precisa de um playmaker na posição para tentar diminuir as big plays sofridas. Se conseguir manter a base de 2014 e adicionar este jogador específico, a unidade tem potencial para ser uma Top 10 contra o jogo aéreo.

Após analisar estas questões, a torcida dos Giants pode esperar uma evolução na defesa e almejar o renascimento da Big Blue Wrecking Crew, forma que ficaram conhecidos os jogadores do front seven do elenco campeão do Superbowl XLII.


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