Dave Gettleman, GM do Giants, fez o impossível virar realidade neste draft. Para o pesadelo de muitos e alegria para outros. Como assim!? Outros? Sim, segundo Gettleman tem quem gostou, em entrevista disse: “Eu estava na loja de bagel esta manhã. Um cara me disse: ‘Dave, ótima escolha’.”



Difícil até de acreditar né? Mas vamos falar mais do Jones depois. Agora, vamos falar das demais escolhas da franquia no draft de 2019. São elas:

Photo by www.giants.com


Ainda no primeiro round, na trigésima pick, quase no fim das escolhas de primeiro round, o Giants fez uma “trade up” que custou a franquia as escolhas: (i) 37ª pick no segundo round, (ii) 132ª pick no quarto round e (iii) 142ª pick no quinto round.

Com a 30ª Pick em mãos, o Giants escolheu DeAndre Baker (CB, Georgia), uma posição que o o time tinha uma grande necessidade.

Photo by JASON VORHEES THE TELEGRAPH

Baker tem muitas qualidades, sabe cobrir grandes recebedores, é um excelente jogador na cobertura “one vs one” pelas linhas externas do campo (outside), possui excelentes extintos de jogador para a posição, não permite muita separação entre ele o recebedor adversário, é bastante atlético para disputar com qualquer recebedor da NFL, tem boas mãos, quadris soltos que permitem trocar de rotas e sempre tem boa visão do quarterback adversário.

Por outro lado, Baker tem problemas de velocidade vs condição física, ele explode muito bem nos segundos iniciais mas não consegue manter a velocidade por tempos longos ou durante um jogo inteiro, é possível observar que no decorrer do jogo a velocidade diminui bastante, então, certamente, terá alguns problemas com recebedores mais velozes, o que é engraçado porque o jogo da NFL tem evoluído exatamente para essa falha, basta assistir a quaisquer jogos que você perceberá formações com múltiplos recebedores.

Além disso, existem grandes preocupações com sua mentalidade fora do campo, como por exemplo, é colocado em questionamento a capacidade de liderança do jogador fora das quatro linhas, quando estiver sendo observado pela imprensa e etc.

Entretanto, não se enganem, ele é o melhor ou pelo menos está entre três melhores CB’s do draft de 2019, segundo a maioria dos especialistas, eles divergem apenas em qual seria a ordem dos três primeiros – Baker, Greedy Williams (LSU) e Byron Murphy (Washington).

Devido a “trade up” por Baker, a escolha de segundo round não estava mais disponível e o Giants voltou a escolher somente no terceiro round quando escolheu Oshane Ximines (Edge, Old Dominion).

Photo by Chuck Cook-USA TODAY Sports

O jogador pesa aproximadamente 115 kg e mede 193 cm, ótimas medidas para uma carreira na NFL. Eu diria que a comissão responsável pelo draft na franquia acertou bem aqui, um talento inquestionável que poderia ser escolhido até mesmo no segundo round, o jogador possui uma ótima forma atlética, é rápido e tem um trabalho de agilidade incrível, o que torna um OUTSIDE linebacker perfeito para nosso esquema de 3-4 na defesa.

Por isso, os números do jogadores refletem sua agressividade em campo, desde 2015, são 92 tackles sendo 51 para perda de jardas e 32.5 sacks em toda carreira, números massivos que impressionam.

O jogador tem um ótimo acompanhamento lateral trabalhando bem os pés e as mãos, sabe carregar o adversário quando necessário e tem uma excelente aplicação de força nas técnicas de mãos tais como club, rip e arm over, o que torna o jogador um perigo quando se tratar de pass rusher na jogada.

Um problema que preocupou os scouts é a agilidade quando o jogador está ombro a ombro com os jogadores de linha ofensiva. Nesta disputa o jogador tem falhado bastante, inclusive, este é um dos principais objetivos que todos os relatórios apontam a afinidade do jogador por jogar como OLB.

A segunda preocupação é que o jogador possui um vício de sempre tentar a fita sobre a proteção da maneira mais curta (menor distância), ou seja, ao invés de buscar o MELHOR CAMINHO, ele procura sempre forçar seu caminho empurrando ou colocando suas técnicas para alcançar o menor caminho. Porém, na NFL, nem sempre o caminho mais curto é o melhor, é necessário buscar o contorno pelo tackle, por fora da linha ofensiva, principalmente, quando o tackle é mais forte que você ou a marcação é dupla. Um problema contornável.

No quarto round, os Giants selecionaram Julian Love (CB, Notre Dame).

ORLANDO, FL - JANUARY 01: Julian Love #27 of the Notre Dame Fighting Irish in action during the Citrus Bowl against the LSU Tigers on January 1, 2018 in Orlando, Florida. Notre Dame won 21-17. (Photo by Joe Robbins/Getty Images)
Photo by Joe Robbins/Getty Images

O jogador com 87 Kg e 180 cm, não é tão alto mas tem ótimos instintos, inclusive é o líder na história de Notre Dame em “pass break-ups” que são aqueles passes desviados, antecipa rotas muito bem, sabe lidar com a cobertura em zona ou individual, trabalho com pés excelente, sabe trocar de rotas muito bem e não tem dificuldades em fazer tackles.

A principal preocupação é a resistência do atletismo, duração na partida, uma vez que sua principal falha é nas rotas de profundidade, não consegue acompanhar os recebedores da mesma maneira que começa a rota, ou seja, tem uma tendência a começar a ceder durante o jogo o que fatalmente será um desafio para o jogador quando estiver contra recebedores maiores que ele, falha parecida com a do Baker.

Outro ponto seria a habilidade de jogar como nickel (pelo meio do campo). Hoje na NFL, muitos times jogam com mais de um recebedor no slot, por isso, é fundamental que os defensores saibam marcar as rotas do meio, entretanto, Love tem algumas dificuldades, principalmente, contra tight ends devido a força dos jogadores de nível NFL, logo, no caso do Love essa preocupação custou muito ao jogador, por isso, caiu até o terceiro e quarto round.

No quinto round, a franquia tinha duas escolhas, com as 143ª pick e 171ª pick os Giants selecionaram Ryan Connelly (LB, Wisconsin) e Darius Slayton (WR, Auburn).

Connelly é um autentico linebacker daqueles que avançam com grande agressividade contra o jogador adversário e fica constantemente de olho nos corredores adversários. O jogador possui um baita instinto de jogo entre as trincheiras, porém, não é rápido o suficiente para jogar como EDGE e não é forte o suficiente para jogar como Strong LB na marcação de TE, ambas posições de outside, por isso, eu acredito que a posição dele nesta atual formação do Giants será como inside LB, jogando pelo meio e abusando dos tackles, como sempre fez em Wisconsin onde conseguiu a marca de 251 tackles sendo 30 para perda de jardas e 6 sacks.

Photo by Jeff Hanisch-USA TODAY Sports

Não se enganem, nenhum jogador completo digno de titularidade estaria dando “sopa” no quinto round, Connelly tem falhas que preocupam, por exemplo, ele não jogou a parte final da temporada de 2018 em virtude de uma lesão muscular e também faz péssimas leituras nos esquemas de jogos adversários porque sempre preferia atacar ao invés de fazer a leitura correta taticamente.

O jogador tem 190 cm e pesa 107 kg, poderá ajudar no special team também. Entretanto, a franquia nova iorquina precisa de jogadores para a posição de inside LB, logo, essa pick tem muito valor porque jogando pelo meio, ele não precisará se preocupar com avanços e focará na cobertura ou marcação pelas trincheiras, onde ele é fantástico.

A segunda escolha do quinto round foi Darius Slayton (188 cm e 86 Kg), outra necessidade do time com a saída de Odell.

Photo by Jim Brown-USA TODAY Sports

Um jogador não tão alto quanto eu gostaria mas é rápido, bastante rápido. O grande problema é a eficiência em fazer ou completar rotas, não são tão precisas como um recebedor de elite da NFL faria e precisa melhorar também seu jogo com as mãos, sua carreira é marcada com drops, estes problemas podem ser corrigidos. Tudo dependerá da vontade do jogador e de qual assistência a franquia prestará.

Slayton ama uma big play, em 2017, foram mais de 6 touchdowns para mais de 50 jardas. Em quatro anos, em 2015 não entrou em campo, conseguiu a marca de 1605 jardas, 79 recepções para 11 touchdowns, números que podem acrescentar muito ao esquema tático de Shurmur.

Já no sexto round, o Giants escolheu Corey Ballentine (CB, Washburn).

Photo by Getty

Um jogador exemplar na escola e um companheiro fenomenal de time, estes são os relatos dos jogadores companheiros de Ballentine, porém, o jogador se envolveu em uma confusão e acabou baleado em uma festa após ser draftado, perdendo até um amigo de time.

Está é um tipo de situação que a diretoria deveria acompanhar de perto. O jogador estava cotado para o quarto ou quinto round, porém, os Giants conseguiram o jogador no sexto round, o que torna uma excelente pick porque o jogador é um grande atleta. Possui um físico fenomenal, é rápido e ágil na troca de rotas. Tem experiência em special teams e também é retornador.

No sétimo round, com duas escolhas, na 232ª pick, os Giants selecionaram George Asafo-Adjei (OT, Kentucky). Também no mesmo round, porém, com a 245ª pick, selecionaram Chris Slayton (DT, Syracuse).

“Big” George (196 cm e 142 Kg), como é chamado por muitos, é um jogador com bons trabalhos de pés e com um ótima força e tamanho, porém, sua agilidade deixa a desejar, por isso, caiu tanto no draft, alguns relatórios apontam quem a melhor forma de aproveitar o jogador seria evoluindo seu jogo para guard e não tackle.

George Asafo-Adjei
Photo by Chet While and UK Atheletics

O jogador no college era right tackle onde conseguiu contribuir bastante para o jogo corrido do time e ao meu ver é onde mora sua especialidade porque nos bloqueios com passe não é tão efetivo. Também tem alguns problemas em aplicar técnicas de desarme com as mãos o que preocupa muita porque na NFL os jogadores defensivos são bem mais rápidos.

Por último, Chris Slayton (193 cm e 140 Kg), uma verdadeira monstruosidade que colecionou a marca de 104 tackles sendo 30 para perda de jardas e 7.5 sacks, uma produção relativamente baixa, porém, por ser uma escolha tão baixa, a franquia apostou muito bem.

Photo by Brett Carlsen/Getty Images

O corpo atlético deste jogador é algo fantástico e feito para dar certo na NFL, ombros largos e braços cumpridos que permitem o jogador aplicar tackles, mudar a direção de um jogador adversário ou até mesmo encerrar qualquer jogada. As pernas curtas ajudam na estabilidade ao fixar os pés no chão para usar o quadril da maneira que quiser.

O maior problema de Slayton ao que tudo indica, não é a excelente forma atlética e sim a força de vontade, por incrível que pareça, o jogador constantemente desiste da jogada após ela não dar certo no primeiro instante. No momento da explosão quando entra em contato com o jogador adversário, se algo da errado, ele simplesmente é carregado o que praticamente liquidou sua produção em números, porém, eu acredito fielmente nesta pick, um bom trabalho da franquia no jogador poderá elevar o jogo dele para níveis profissionais de NFL, ele não fará jogadas de pass rusher mas sabe muito bem aplicar 3-tech.

Essas são as escolhas do New York Football Giants. Qualquer dúvida ou questionamento comentem aí que vamos responder! O que vocês acharam desse nosso draft? 😀


Clique e garanta seu ingresso com desconto!