New York Giants

Uma análise sobre o novo esquema defensivo do Giants para a temporada 2018

Photo by NY Daily news

Que o New York Giants sofreu uma brusca mudança em sua comissão técnica nos últimos meses, já não é novidade. Mas na prática, o que muda?

Muita coisa. Pra começar, talvez a transição mais significativa: o esquema defensivo. Depois de anos usando a tradicional defesa 4-3, o Giants entrará nessa temporada com sua defesa alinhada no um-pouco-mais-moderno esquema 3-4. Mas o que é isso?

Quando o embate entre ataque e defesa começa nas trincheiras, existem duas possibilidades para o ataque escolher: passe ou corrida. Para cada uma delas, existem milhares de preocupações e atitudes que a defesa deve tomar.

A linha ofensiva de um time consiste de 5 homens alinhados e, consequentemente, alguns ¨espaços¨ ou ¨buracos¨ entre esses homens. Quando um time opta por correr com a bola, os homens da linha defensiva precisam se preocupar com qual buraco o running back tentará atacar, ou seja, por onde ele tentará passar.

Mas se o ataque resolve passar a bola, os homens da linha defensiva precisam se preocupar em chegar até o quarterback antes que ele lance, ou seja, conseguir um sack. Isso acontece por conta da grande variedade de opções aéreas que um ataque possui, então a melhor chance da defesa é justamente aniquilar a origem do lançamento.

E qual é a diferença de uma defesa 3-4 para uma 4-3? O alinhamento e as funções de cada jogador, basicamente.

A principal diferença estrutural dos dois esquemas é que a defesa 4-3 é formada com 4 homens de linha e 3 linebackers, enquanto a 3-4 usa apenas 3 jogadores de linha e 4 linebackers.

Essa ¨pequena¨ diferença traz grandes mudanças para nós que já estávamos acostumados com o jeito do Giants se defender, e ainda vamos discutir muito isso conforme os papéis dos nossos jogadores forem se definindo. Mas a principal diferença que desperta curiosidade está relacionada com a posição do defensive end na nova defesa de James Bettcher, que no esquema 3-4, passa a se chamar ¨5-technique¨.

  • Primeiro: por que ¨5-technique¨?

Photo by Big Blue View

Por conta do seu alinhamento. Todas as posições, ou ¨techniques¨ da linha defensiva de um time são nomeadas em ligação ao lugar que o jogador se alinha contra a linha ofensiva do adversário. O 5-techinique geralmente se posta por fora do ombro do offensive tackle, na posição (ou na technique) número 5, por isso o nome. Mas a grande característica desse jogador no esquema 3-4 é a sua versatilidade, já que ele também podemos vê-lo nas techniques 4i (no ombro de dentro do OT) ou 4 (cara-a-cara com o OT).

A outra grande característica é o tamanho desses jogadores. Enquanto o DE da defesa 4-3 pesa algo em volta de 120Kg, o 5-technique bate a balança em mais ou menos 130Kg, dependendo de qual defesa 3-4 ele faz parte.

  • Segundo: o que o ¨5-technique¨ faz?

Depende do tipo de defesa 3-4 que o time escolhe, que pode ser a de 1-gap ou de 2-gap.

2-gap é formado uma uma linha de frente maior e mais forte, onde cada homem se ocupa com dois buracos. Já a 1-gap é mais atlética e agressiva, e compete melhor com os ataques de hoje em dia.

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Na 3-4 de 1-gap, o nose tackle se ocupa dos dois gaps A, e os demais homens de linha e os outside linebackers se ocupam com apenas um gap, daí o nome.

Photo by Big Blue View

E mais do que ocupar o buraco em si, o 5-technique desse tipo de esquema tem que atacar os buracos e tentar desmontar a linha ofensiva do adversário para sackar o QB. Esse jogoador geralmente é um pouco mais leve e atlético, como JJ Watt.

Muita informação para assimilar, né? Mas tem mais!

Dentro do esquema defensivo 3-4 1-gap, temos duas versões possíveis de posicionamento: a Under e a Eagle (que inclusive foi criada pelo tio de Pat Shurmur).

A Under é quando o defensive end do weak side se posiciona mais para dentro da linha, ocupando o lugar do 3-technique.

A Eagle é quando o defensive end se posiciona no ombro de dentro do ofensive tackle (4i-technique), atacando os gaps B. Nesse caso, mais agressivo, o objetivo maior é derrubar a linha ofensiva e chegar ao QB.

  • E o que fará James Bettcher em New York?
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Olhando para o histórico do nosso novo coordenador defensivo, ele geralmente comanda a 3-4 1-gap, mas é bem versátil no uso do 5-technique, colocando em prática a versão Under e Eagle em diferentes ocasiões.

Além disso, durante seu tempo com os Cardinals, Bettcher postou sua maneira de maneiras bem criativas o tempo todo, tornando mais difícil o trabalho do ataque em decifrar o que está na sua frente.

Por exemplo, já vimos os Cardinals se defenderem com sucesso, usando apenas um defensive end postado quase de frente para o center (2i-tech, no ombro de dentro do RG) e os demais homens de linha para o lado esquerdo do ataque, nas techs 3 e 5.

Também já vimos ele jogar sem o nose tackle, deixando só os DEs em campo, além de usar seus outside LBs dentro da linha.

Por essas e outras, é realmente difícil prevêr o que Bettcher planeja fazer na defesa. A única coisa que temos certeza absoluta é que cada jogador vai ter que exercitar sua criatividade e estar preparado para ocupar qualquer posição, em estruturas muitas vezes excêntricas.

A boa notícia é que com toda essa versatilidade e jogadores excelentes no roster defensivo do New York Giants, a tarefa de Bettcher não tende a ser das mais árduas.

Damon Harrison é o melhor nose tackle da NFL, Dalvin Tomlinson e B.J. Hill têm a habilidade de jogar como defensive end mas também a força para jogar de nose.

Josh Mauro, Kerry Wynn, e R.J. McIntosh têm o biotipo perfeito para defensive ends da 3-4, mas também têm capacidade de jogar mais para dentro da linha em certas situações.

Olivier Vernon e Romeo Okwara têm tamanho certo para jogar na linha, mas são extremamente atléticos para atuar como LBs. Vernon inclusive já foi usado por Spags como OLB nas coberturas em Zone Blitz e fez o papel muito bem.

Ou seja, não deve ter sido por acaso que James Bettcher quis comandar nossa defesa. Um elenco desses é de fazer brilhar os olhos de um coordenador como ele, que gosta de brincar e inovar.

Nessa offseason, o Giants também assinou com o free agent Kareem Martin, que veio dos Cardinals de Bettcher, e foi um show de versatilidade enquanto jogava em Arizona, podendo atuar tanto de LB quanto de DE, o que deve trazer entretenimento para os torcedores e dificuldade para o ataque entender o que ele fará quando entrar em campo.

Mudanças de esquemas sempre são complicadas e lentas de se aplicar, principalmente depois de uase três décadas de manutenção de um esquema, mas esse pode ser um excelente movimento para o time, já que ainda devemos ver similaridades com a defesa de Spags. Em algumas situações, uma defesa 3-4 se parece imensamente com uma 4-3, então ao invés de apenas mudar todo o esquema, podemos ver essa transição como um upgrade de uma defesa já impressionante.

Mas uma coisa dá para adiantar: deve vir show de entretenimento e ação por aí, já que a principal mudança que devemos perceber logo de cara ao assistir aos jogos é a agressividade do nosso novo ataque

E você, acha essa mudança boa ou preferia ter mantido a defesa que estava em campo? Deixe sua opinião aí nos comentários. 🙂

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